quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Landscape In The Mist (Theodoros Angelopoulos, 1988)
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
The Raven (Lew Landers, 1935)
Bela Lugosi ou Boris Karloff, Dracula ou Frankenstein? Qual dos dois actores o mais carismático, qual dos dois filmes o mais mítico? Perguntas difíceis de responder. Fácil mesmo será, para quem aprecia filmes de terror vetustos, ter altas expectativas antes de ver um que os juntou no grande ecrã, como é o caso com The Raven.
Tudo começa com um acidente nocturno de automóvel que deixa uma mulher, Jean, às portas da morte. Num rápido entrecorte de cenas, ficamos a saber que Lugosi é um cirurgião respeitado, que é obcecado com Edgar Allan Poe, que salva Jean no bloco operatório e que é um excelente organista (facto que se revela irrelevante). Claro que isto é só a superfície. A estima pelo autor americano é um pretexto para o Dr. Vollin canalizar o seu temperamento violento, o que o leva a construir máquinas de tortura na sua cave, a sentir fascínio pela dor e pela morte (em especial por símbolos que lhe são associados, como os corvos) e a perseguir uma mulher que não pode ter, precisamente a mulher que curou e que é noiva de um colega.
Karloff interpreta Bateman, um pobre coitado com historial criminoso e procurado pela polícia, que Vollin manipula para atingir o seu fim (que passa por eliminar quem for preciso para ter Jean), sob o pretexto de lhe conseguir mudar a aparência, que peca por não ser muito agradável e por aparecer demasiado nos jornais...
Claro que é conveniente demais que Bateman apareça de um momento para o outro à porta do cirurgião e que a realização nas cenas de maior acção é algo arcaica, senão mesmo amadora, mas há uma aura de mistério e um charme sombrio que só os tons cinéreos, o ritmo lento e as caras inesquecíveis características deste tipo de filmes conseguem atingir, basta ver aqui a cena em que Vollin retira as ligaduras da cara de Bateman para revelar um rosto ainda mais disforme que inicialmente. The Raven não é uma obra-prima, mas quem, ao saber da sua existência, fica com as expectativas altas o suficiente para o procurar, ver e ler até ao fim textos como este sobre ele, não deverá ficar desiludido.
domingo, 4 de setembro de 2011
POSTERS: The Deer Hunter (Michael Cimino, 1978)
Simples e capaz de sintetizar a cena-chave do filme, uma das mais famosas e intensas cenas do cinema americano.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Shutter Island (Martin Scorsese, 2010)
Para um cineasta cinéfilo e adepto confesso de thrillers históricos e do género film-noir como Martin Scorsese, realizar um filme nos mesmos moldes terá sido sempre uma tentação. Se em 2007 se ficou por uma curta com claras influências de Hitchcock (The Key To Reserva), em 2010 não resiste a atirar-se de cabeça para a conversão ao cinema do livro Shutter Island de Dennis Lehane (o mesmo autor de Mystic River). Denso, povoado por reviravoltas e flashbacks, a roçar o terror, este argumento parece algo atípico no currículo de Scorsese... ou se calhar nem por isso.
O facto é que os filmes do realizador americano têm experimentado mudanças em forma, mas não em conteúdo. Seria difícil imaginá-lo nos anos 80 a preocupar-se com uma narrativa ou a preterir virtuosismos com a câmara para homogeneizar o conjunto, mas The Departed parece ter demarcado uma nova fase na sua carreira (o próprio terá dito há alguns anos que esse foi o seu primeiro filme com enredo, afirmação que não parecerá totalmente verídica para quem já viu Cape Fear) e Shutter Island aparece também nesse seguimento.
No entanto, não deixa de ser um filme visualmente fascinante, com uma atmosfera intimidante, e sobre temas recorrentes, em especial sobre violência, claro. Que consequências tem a violência na psique humana? O que nos leva a incorrer em actos violentos? Que justificação, se alguma, pode ter uma conduta violenta? Será a violência intrínseca à nossa natureza? Scorsese pergunta, Teddy (Leonardo DiCaprio) procura responder. Isolado numa instituição em forma de ilha para criminosos insanos, este agente federal deslinda o desaparecimento de uma mulher lá internada.
Perseguido pelos seus próprios traumas (como num bom film-noir, a história já vai a meio quando a acção principia), Teddy tem também a sua agenda pessoal neste caso: encontrar o pirómano que causou o incêndio em que morreu a sua mulher, Dolores (Michelle Williams). Enxaquecas e fotossensibilidade minam-lhe o bem-estar físico e mental, mas Teddy prossegue a sua investigação a todo o custo, apesar da relutância em colaborar dos responsáveis pela instituição, Dr. Cawley (Ben Kingsley num papel enigmático e muito bem conseguido) e o germânico Dr. Naehring (Max von Sydow), que desperta em Teddy memórias do Holocausto, que presenciou, in loco, enquanto militar participante na libertação do campo de concentração de Dachau.
Leonardo DiCaprio (alguém lhe dê um Óscar, por favor...) é fenomenal a fazer transparecer gradualmente o comportamento paranóico e incoerente da sua personagem. Cada nova cena parece aumentar a incerteza do seu destino, e para isso muito contribui também o negrume do trabalho de fotografia de Robert Richardson. Com Shutter Island, um dos seus filmes mais complexos a nível psicológico e sociológico, Martin Scorsese continua em alta, como sempre olhando para o passado para seguir em frente, apoiando-se na história do cinema para suportar o seu presente.
9/10
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Bad Teacher (Jake Kasdan, 2011)
Regra geral, o nível de consideração que o espectador adquire por um filme é grandemente influenciado pela relação que estabelece com as personagens na tela, pela tridimensionalidade que adquirem com o desenvolvimento da história e por ser ou não fácil para qualquer um de se identificar ou emocionar com o que está a ver. A complexidade dessa tarefa aumenta exponencialmente à medida que diminui a escrupulosidade do protagonista, porque é natural condenarmos pensamentos ou comportamentos que chocam com as nossas morais, e poucos são os filmes que conseguem ter sucesso a este nível. Lembro-me de Kind Hearts And Coronets (1949), A Clockwork Orange (1971) ou American Beauty (1999). Claramente, Bad Teacher não entra nesta lista. A razão é simples: Elizabeth Halsey, a professora interpretada por Cameron Diaz, é horrível, em todos os sentidos possíveis da palavra. Mal escrita, mal interpretada, de má rés, não havendo um segundo que nos leve a simpatizar com ela. O seu noivado com um ricalhaço qualquer é cancelado e Elizabeth vê-se forçada a reiterar o seu trabalho como professora. Sem fundos infinitos para alimentar a sua vaidade, não se conforma com a sua abrupta descida na pirâmide social e prefere continuar a alimentar-se de superficialidades e a comportar-se como uma cabra sem sentimentos. Negligencia a educação dos seus alunos, manipula todos à sua volta; apenas lhe interessa arranjar outro homem com dinheiro, que pode muito bem ser o seu novo colega Scott (Justin Timberlake no seu pior). Não dá para perceber o que é que os argumentistas de Bad Teacher tinham em mente. Recomendo o suicídio a quem olhar para Elizabeth como um modelo a seguir por dizer o que lhe vem à cabeça, perseguir os seus objectivos ou qualquer treta desse género. Podia ser uma mulher independente e forte, mas é só desprezável. Podia ser uma mulher amargurada à procura de uma catarse, mas é só insidiosa. Elizabeth é assim porque sim, por egoísmo, o que torna o filme irrelevante, inconsequente, intragável. Juntando a isto a total falta de química entre os actores, a típica falta de qualidade técnica destas comédias descartáveis de Hollywood e um final incompreensível e irresponsável, que existe apenas para iludir o espectador de que tudo está bem quando acaba bem e que ainda bem que a nossa protagonista não sofreu consequências depois de todo o mal que fez, Bad Teacher é um sério candidato a pior filme do ano.
2/10
TOP5: Robert Bresson
05. The Trial Of Joan Of Arc (1962)
04. Four Nights Of A Dreamer (1971)
03. A Man Escaped (1956)
02. Diary Of A Country Priest (1951)
01. The Devil Probably (1977)
Raramente se vê alguém indicar este como o melhor Bresson, mas é essencial, não só é extremamente austero, como toca em assuntos como fé, aprisionamento e solidão, que permeiam a sua filmografia. Fascinante e complexo.
04. Four Nights Of A Dreamer (1971)
A seguir a Diary Of A Country Priest, o filme mais cordial de Bresson, um belo conto de amor e arte. Quem dera que houvessem cópias melhores a circular...
03. A Man Escaped (1956)
Económico ao máximo, Bresson segue o desejo de fuga dum prisioneiro político, o que não é mais do que o desejo comum nos seus filmes de abandonar um estado de solidão.
02. Diary Of A Country Priest (1951)
"The simplest tasks are by no means the easiest..."
01. The Devil Probably (1977)
Aparentemente, um dos mais frios filmes de Bresson e dos que mais terá influenciado realizadores como Haneke ou o duo Danièle Huillet/Jean-Maria Straub, mas também o mais denso e analítico.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
The Science Of Sleep (Michel Gondry, 2006)
Para onde ir depois de um filme que tão bem balança a comédia e o romance, que consegue ser "comercial" e "indie" ao mesmo tempo, que está tão bem feito a todos os níveis como Eternal Sunshine Of The Spotless Mind? Para o realizador Michel Gondry, a resposta parece ter sido tentar fazer algo semelhante, mas sem a ajuda de um argumentista. Dois anos depois, chegou então The Science Of Sleep, uma história simpática sobre um jovem artista com muita dificuldade em expressar o seu amor. Stéphane (Gael García Bernal) muda-se para Paris atrás de um emprego supostamente criativo prometido pela mãe, que vive na capital francesa. Apresenta-se ao trabalho cheio de ideias para o calendário em que irá trabalhar, mas o seu chefe diz-lhe que as pessoas apenas querem ver "puppies, trucks, flowers or nudes". Por outro lado, chega uma nova inquilina ao seu prédio, Stéphanie (Charlotte Gainsbourg), por quem se começa a apaixonar, mas ele tem uma grande inabilidade em lidar com os seus sentimentos e ela tem uma grande indisponibilidade para relacionamentos. As desilusões profissionais e emocionais espezinham o seu carácter sensível e agravam as suas disfunções de sono, levando-o a refugiar-se num mundo asfixiante de sonhos e veleidades, que se mistura com a realidade num complexo fluxo de consciência cinemático e que, no fundo, nada resolve. Gondry consegue inventar visuais únicos, cenários divertidos, animações e truques de câmara verdadeiramente originais, mas nem sempre os consegue preencher de significado, pelo menos não com a coesão ou carga dramática de Eternal Sunshine Of The Spotless Mind, até porque o enredo é bastante mais simplista. Stéphane é caprichoso e o filme chega a roçar a auto-indulgência. Por muito gracioso que Bernal seja, a infantilidade e o solipsismo da sua personagem chegam a ser irritantes e a ferir um pouco o tom brincalhão mas cativante que o filme supostamente deveria ter. Falta Charlie Kaufman, mas, mesmo assim, vale a pena ver The Science Of Sleep? Sim. Dificilmente haverão realizadores mais fascinados que Michel Gondry com as possibilidades do filme em geral. Simplesmente isso pode ser suficiente para realizar grandes videoclips, mas não é suficiente para realizar grande cinema...
6/10
TRAILERS: Rise Of The Planet Of The Apes (Rupert Wyatt, 2011)
Para quem gosta do clássico, está a chegar a história de origem! Para quem nunca viu o clássico, que trate disso rápido.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Roman Holiday (William Wyler, 1953)
Gregory Peck e Audrey Hepburn, num filme de William Wyler, produzido pela Paramount - mais clássico do que isto é difícil. Comédia romântica perenal, Roman Holiday é lembrado pela sua história leve, por ser um magnífico cartão de visita de Roma e, claro, por ter sido o primeiro papel de protagonista de Hepburn no cinema, tendo-lhe valido o Óscar imediato. A abrir, um boletim informativo ficcional, que, inteligentemente, em muito se assemelha aos que passavam antigamente nos cinemas antes do começo dos filmes, e que nos informa que uma princesa qualquer acaba de chegar a Roma, no âmbito de uma alargada tournée (qual estrela Rock qual quê) pela Europa. Depois de um longo dia de paradas militares, recepções ultra-formais e outros salamaleques, a princesa Ann confessa, à noite, no seu quarto, a uma condessa que a acompanha, que está farta da sua vida, e acaba a ter um verdadeiro colapso nervoso. Sedada por um médico, é deixada sozinha no seu quarto, donde acaba por fugir sorrateiramente e adormece de vez apenas na rua, onde é encontrada pelo jornalista Joe Bradley (Peck). A partir deste momento, o filme transforma-se num jogo de mentiras e numa visita guiada pela câmara de Wyler por Roma simultaneamente, à medida que Ann tenta viver despreocupada e anonimamente pela primeira vez e que Joe tenta relatar em primeira mão este aparente devaneio da princesa, ocultando-lhe a sua profissão para não condicionar a relação entre ambos. Uma das facetas do filme é a desmistificação da fama, que é indiciado logo no início quando um encontro cheio de normas e códigos reais num palácio se torna na luta de Ann para conseguir calçar outra vez, sem que ninguém veja, o sapato que lhe saiu acidentalmente do pé debaixo da longa saia do seu vestido. Roman Holiday está cheio de pormenores desse género, que tentam mostrar que em cada celebridade há, claro, uma pessoa comum. Quanto à química entre os dois actores principais, não é propriamente a mais intensa de sempre, sendo até curioso que o papel do jornalista tenha sido inicialmente oferecido a Cary Grant, com quem Hepburn contracenaria com maior sucesso neste aspecto 10 anos depois em Charade. Ainda assim, Roman Holiday contém cenas que fazem parte do imaginário da cinefilia, como as deambulações de Vespa das personagens pelas ruas da cidade, a passagem por La Bocca Della Verittà ou o final agridoce, e o seu tom jovial garante-lhe um lugar acima da maioria das comédias românticas da altura. É, ainda, um filme belo de se ver.
7/10
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