Esta curta portuguesa concorreu ao Your Film Festival, promovido pelo site Youtube e com o patrocínio de Ridley Scott. Não ganhou, mas é, inegavelmente, um grande trabalho. Vejam!
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
sábado, 15 de setembro de 2012
December Boys (Rod Hardy, 2007)
Daniel Radcliffe interpreta um órfão
- o alcance deste rapaz é incrível. Pelo menos o casting não podia ter corrido
melhor, é difícil negar o seu talento para este tipo de papéis e a sua presença
em nada minimiza o filme, antes pelo contrário. December Boys trata de um
orfanato católico, perdido no interior da Austrália nos anos 60, que passa a
ter a possibilidade de mandar de férias os seus inquilinos, para uma pequena
localidade piscatória. Os primeiros a embarcar nessa oportunidade inédita de
viajarem até à costa são os 4 miúdos com aniversário em Dezembro, ou seja,
Maps, Misty, Sparks e Spit.
A história é narrada pelo segundo,
idoso e fora de câmara, como que recontando a sua infância ingénua e invulgar a
uns possíveis netos. O filme começa por mostrar, com agradável neutralidade, a
calma vida no asilo, onde, apesar das regras das freiras, não deixava de haver
espaço para se crescer saudavelmente e para comportamentos transgressivos de
vez em quando, que também fazem parte da idade. Não vilificar este ambiente é
uma decisão acertada quando é suposto a nostalgia mostrar o caminho, e desde
cedo vieram-me à memória Picnic At Hanging Rock e Walkabout.
Alegres mas confinados e alojados
no meio de nenhures, sair dali temporariamente é uma ideia que nunca deixa de
fascinar os amigos, mas essa gratidão pela oportunidade é demais evidente durante
a travessia pelo deserto até ao mar, em que belas imagens do território
australiano se sucedem, evocando a imensidão do mesmo. Misty arregala os olhos
sonhadores atrás dos óculos. Nem 10 pessoas moram na baía que os acolhe e 2
delas são o bondoso casal McAnsh, que lhes oferecem residência e disciplina
suficiente para contrabalançar a liberdade inédita.
Enquanto os mais jovens, em
especial Misty, orientam esforços para que um deles possa ser adotado pela
francófona Teresa e o motoqueiro circense Fearless, um par amoroso impedido de
ter filhos, a atenção de Maps, mais velho e noutra fase do seu crescimento, é
desviada para uma rapariga, Lucy. Todo o embaraço característico de Daniel
Radcliffe se adequa à personagem, vê-se logo no primeiro contacto que tem com
Teresa (saindo da água, nua, para oferecer aos miúdos protetor solar). Está em
idade de começar a interessar-se pelo sexo feminino mas é demasiado desajeitado,
pela falta de prática.
O argumento consegue ser meigo
mesmo quando confronta as vivências infantis do quarteto com temas menos
inócuos, como o cancro. Estabelece também com sucesso a amizade forte que une
os órfãos e mesmo quando se desentendem parece que nunca perdem noção de que
estão no mesmo barco. Chega a ser especialmente tocante a forma como acabam por
apoiar Misty para que este ganhe os pais por que sempre desejou. É nesta altura
que há uma reviravolta que estraga toda a experiência do filme, com Misty a
preferir voltar para as freiras depois de tantas preces para ser abençoado com
a família perfeita.
Tudo indicia a permanência de
Misty na baía, passamos todo o tempo a desejar que seja adotado, porque é o que
ele quer e merece, para, no fim, ele rejeitar isso tudo e é suposto
aceitarmo-lo com a maior leveza e compreensão possíveis. Nunca vi um filme
criar tanta expectativa e depois dizer "meh, deixem lá, se calhar é melhor
continuar como estava". É um desperdício da simpatia dos atores e da
fotogenia da Austrália. Ficam as brincadeiras no areal, os primeiros beijos e
amores, o potencial de Daniel Radcliffe e Teresa Palmer, o espírito de
inocência e descoberta, tão difícil de descrever, tão bem captado aqui.
6/10
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Círculo de Críticos Online Portugueses
"O CCOP é um grupo seleccionado de críticos online de cinema portugueses, cuja accção se centra essencialmente na classificação dos filmes estreados mensalmente nas salas de cinema portuguesas, de forma a produzir um conjunto de tops mensais, com oportunos dados estatísticos."
Orgulho-me em informar que O Narrador Subjectivo faz agora parte deste conjunto de cinéfilos e agradeço aos outros membros por me terem seleccionado. Podem consultar o blog do projecto aqui.
Get to da choppa!
TRAILERS: Lincoln (Steven Spielberg, 2012)
Lincoln, o novo filme de Steven Spielberg, sobre o presidente americano que aboliu a escravatura no país, depois da guerra civil. Virá ai mais uma nomeação para Daniel-Day Lewis?
domingo, 9 de setembro de 2012
Zero For Conduct (Jean Vigo, 1933)
Talvez Jean Vigo tenha sido o pioneiro do realismo poético francês no
cinema dos anos 30. Afinal, apesar da sua morte prematura aos 29, tendo apenas
uma longa-metragem no currículo, apesar das dificuldades que encontrou para
financiar os seus projectos e apesar da relativamente baixa popularidade dos
seus trabalhos na altura de lançamento, só algum tempo depois de Zero For
Conduct sair é que começaram a aparecer outros filmes com o mesmo sentido
estético, acessível mas por vezes propositadamente artificial e lírico, como
Pépé Le Moko (Julien Duvivier, 1937), La Bête Humaine (Jean Renoir, 1938) e Le
Quai Des Brumes (Marcel Carné, 1938).
Baseado nas suas próprias experiências em internatos masculinos, sinal
prematuro de um autor em potência, Vigo desenvolve em 41 minutos um retrato que
consegue ter tanto de escrutinador como de melancólico, e onde a sua ilimitada
criatividade e jovialidade estão em exposição, à medida que 4 rapazes se
divertem ao longo do ano a planear gloriosas diabruras e vão sendo punidos por
elas com a rigidez das regras da instituição que os acolhe. A aproximação do
dia de celebração do aniversário da escola perfila-se como a oportunidade
perfeita para o derradeiro acto de rebeldia contra a repressão adulta,
personagens patéticas sem fogo de vida.
O que é mais impressionante nesta curta são os pequenos pormenores de
realização, alguns dos quais custa a crer que alguém possa ter imaginado há
tantas décadas atrás, sendo o mais óbvio a inclusão de animação. O professor
mais liberal do colégio tenta esquissar um banhista ao mesmo tempo que faz o
pino sobre a sua secretária e a turma faz trinta por uma linha na sala. Outro
responsável interrompe a aula e, na folha, o cartoon perde o fato-de-banho e a bóia
e transforma-se numa figura mais respeitável, em muito parecida com o ditador
Napoleão. Hoje vemos a influência destes segundos de filme em Kill Bill
(Quentin Tarantino, 2003-04) ou Harry Potter And The Deathly Hallows (David
Yates, 2010-11).
Aliás, a anarquia da infância, misturada com uma grande ingenuidade
relativamente ao mundo em redor, as salas de aula barulhentas, as
desobediências ao autoritarismo, a por vezes cruel honestidade das crianças,
tornou-se de tal forma num tema recorrente, até num dos clássicos de outra onda
cinemática conterrânea posterior, Les 400 Coups (François Truffaut, 1959), que
a pretensão semiautobiográfica de Vigo se assume agora como visionária. Apesar
da selecção estranha de planos aqui e ali (close-ups desnecessários e mais), as
ideias do realizador, que se estendem também ao uso de slow-motion para um
ambiente mais surreal e nostálgico, são ainda hoje replicadas e eficazes.
O tom humorístico também ainda não perdeu o seu efeito. Talvez os
homens sejam mesmo mais primitivos e coisas como chatear amigos que estão na
sanita ou ver anões rezingões terão sempre piada, seja em mil novecentos e
troca o passo ou no século XXI, seja com 8 ou 80 anos, mas a verdade é que Zero
For Conduct consegue sacar gargalhadas. Quando não é assim, obriga, pelo menos,
a fantasiar com tempos idos, de maior inocência, porque, acima de tudo, fica a
melancolia. Acaba por ser frustrante que não seja mais longo e gostaria de ver
os miúdos em ambiente familiar, no fundo mais espessura na história, mas
reconheço que o objectivo não é esse - apenas recordar, com saudade.
8/10
sábado, 8 de setembro de 2012
NOTÍCIAS: Veneza 2012
Numa cerimónia confusa e pautada por equívocos, o sul-coreano Ki-Duk Kim acabou por sair de Itália com o prémio máximo do festival de Veneza, tendo ganho o Leão de Ouro com o seu novo filme, Pieta. A decisão não terá sido fácil e há relatos de que The Master de Paul Thomas Anderson chegou mesmo a ser escolhido como vencedor, mas as regras do festival determinam que não podem ser atribuídos mais de 2 prémios por filme, tendo Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix partilhado a distinção de melhor actor e Anderson arrebatado o Leão de Prata para melhor realizador. A entrega deste último gerou um momento constrangedor, tendo Ulrich Seidl sido inicialmente anunciado como o destinatário, só para ver o troféu ser-lhe arrancado das mãos pelo júri em pleno palco, quando se aperceberam que tinham chamado afinal o vencedor de outro prémio. Em destaque:
Leão de Ouro: Pieta de Ki-Duk Kim
Melhor Realizador: Paul Thomas Anderson (The Master)
Melhor Actor: Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix (The Master)
Melhor Actriz: Hadas Yaron (Lemale Et Ha'Chalal)
Melhor Fotografia: Apres Mai de Olivier Assayas
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Balls Of Fury (Robert Ben Garant, 2007)
Cá está uma palhaçada com orgulho disso mesmo e que se está a marimbar para o bom gosto - estou a falar de Balls Of Fury, o melhor filme de ping-pong alguma vez feito (quanto mais não seja pelo facto de ser o único de que me lembro sobre o assunto). Cereja no topo do bolo: Def Leppard's greatest hits a bombar.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
CITAÇÕES: To Live And Die In L.A. (William Friedkin, 1985)
Richard Chance (William Petersen): Just walk.
Thomas Ling (Michael Chong): Why?
Richard Chance: Why? Because if you don't I'll blow your fucking heart out.
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