05. À Propos De Nice (Jean Vigo, 1930)
Nem todos os documentários precisam de ter uma história para contar ou uma mensagem a passar: À Propos De Nice é uma elegia cinemática à cidade do Sul de França, que o malogrado realizador Jean Vigo via como encantadora mas talvez a sofrer com o turismo excessivo. Numa mistura de humor e surrealismo, vemos as praias e as avenidas, mas também fábricas e operários por vezes esquecidos num cenário tão veranil.
04. Douro, Faina Fluvial (Manoel de Oliveira, 1931)
81 anos depois, ainda é possível discutir esta curta com o seu realizador. A longevidade de Manoel de Oliveira é deveras impressionante, mas mais surpreendente será o ritmo fervilhante com que há tantas décadas atrás filmou a cidade do seu coração. Douro, Faina Fluvial é actividade e movimento, do rio sob a ponte D. Luís I, dos barcos rabelos na água e da câmara (não será esta uma das primeiras instâncias do uso de câmara tremelicosa?), o que não deixa de ser irónico, considerando a indolência dos últimos filmes do português.
03. The House Is Black (Forugh Farrokhzad, 1963)
O dia-a-dia numa colónia de leprosos é filmado por Farrokhzad com profunda compaixão, mas também alguma curiosidade. A narração insinua que os habitantes encontram conforto na religião e agradecem a Deus por estarem vivos. Não são tristes aquelas pessoas que às vezes ficam tão imersas nas suas vidas que egoisticamente se esquecem do quão privilegiadas são realmente?
02. Chernobyl Heart (Maryann DeLeo, 2003)
Esta curta vencedora de um Óscar causa
arrepios, é de uma frieza inaudita, mas adequada ao material. Afinal, lida com
as consequências na população bielorrussa do maior desastre nuclear da História.
Logo a abrir, uma viagem pela zona de exclusão, onde vemos a central ao longe e
medições de radiação (uns milhares de vezes superior ao aceitável). É uma
introdução imponente, a que se seguem imagens deprimentes dos hospitais,
orfanatos, escolas e asilos que albergam bebés, crianças e adolescentes ainda
hoje física ou mentalmente afectados pelo acidente. A electricidade foi uma
descoberta fenomenal, mas, considerando os riscos, o uso da energia nuclear
como fonte continua a ser controverso.
01. Night And Fog (Alain Resnais, 1955)
O horror do Holocausto nos 32 minutos mais arrepiantes que é possível imaginar. Resnais contrapõe imagens e vídeos de arquivo com imagens e vídeos filmados por si apenas 10 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, perpetuando a memória do que aconteceu. François Truffaut chamou-lhe "o melhor filme de sempre".