Alexandre: Sabes o que é que eu te digo?... Tá demais o bar da praia, oh maninho!
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Underground (Emir Kusturica, 1995)
Um
dos momentos mais memoráveis e desconfortáveis de Cannes aconteceu em 1995 -
nesse ano, dois filmes com as guerras recentes na Jugoslávia como pano de fundo
assumiam-se como maiores candidatos à conquista da Palma de Ouro. Ulysses' Gaze
de Theodoros Angelopoulos e Underground de Emir Kusturica procuravam encontrar
razões para o carácter repetitivo de tão destruidores ciclos de violência e
caminhos para uma paz duradoura, através
de execuções muito diferentes, ou pelo menos era o que se dizia. Na cerimónia
de entrega dos prémios, o realizador sérvio viria a ganhar a honra maior do
festival pela segunda vez na sua carreira e o seu homólogo grego teria de se
contentar com o Grande Prémio do Júri, o que não aconteceu, pois assim que
subiu ao palco para o receber disse
apenas "se é só isto que têm para me dar, não tenho nada para vos
dizer."
Não
querendo justificar a atitude petulante de Angelopoulos, o seu filme é
contemplativo, grandioso e de um virtuosismo técnico talvez unicamente superado
por Tarkovsky, enquanto que o filme de Kusturica é um circo de auto-paródia que
se deixa levar por brejeirice e fantasia; apesar do seu enorme alcance temporal,
esboça pouco para além de uma caricatura dos eventos mais trágicos e das
preocupações geopolíticas da região. A história segue dois bandidos muito
amigos, que fazem dinheiro a roubar despojos de guerra para gastar em
prostitutas e amantes que simpatizam com o regime nazi (ou pelo menos com os
soldados). Blacky lidera as operações da resistência local com o seu espírito
guerreiro e tem o poder de sobreviver a explosões de granadas, enquanto que
Marko se assume como o seu essencial contraponto intelectual e um adepto da
masturbação durante bombardeamentos.
Tomando
uma cave como base, o grupo, composto por habitantes locais dos mais diversos
grupos etários, passa a viver exclusivamente numa realidade alternativa, produzindo
armamento dia e noite, tendo Marko como único ponto de contacto com o exterior,
o que se revela um mau voto de confiança, já que este decide manter os
conterrâneos na ignorância quando o conflito mundial finda em 1945 e o Marechal
Tito toma o poder, perpetuando uma mentira durante 20 anos. Com que propósito?
É uma boa pergunta. Será por querer roubar a actriz Natalija para si, quando o coração
desta parece descair para Blacky? Será por lhe dar jeito um exército de escravos
para atingir algum objectivo político numa Jugoslávia comunista? Ou será apenas
uma metáfora para o isolamento que os regimes ditatoriais cultivam? Ideias mal
passadas e personagens inconsistentes são regra.
Underground
foi criticado por ser historicamente irresponsável e, no extremo, simpatizante
com a causa Sérvia na última guerra dos Balcãs. Não chegaria tão longe, mas é
de facto decepcionante que, tendo conhecimento de causa, Kusturica não consiga
fazer mais do que cozinhar uma mistura insossa da espontaneidade do cinema checo com
o slapstick de um Fellini, sem o vanguardismo e os subtextos do primeiro nem a
fluidez e fulgor visual do segundo. Na última hora ainda se encontram vestígios
de emoção e do infernal efeito nas personagens de todo o sofrimento a que foram
subjugados ao longo do séc. XX, mas depois de duas horas de uma total confusão,
banalidade e falta de profundidade a todos os níveis, é tarde. Underground diz
pouco, entretém pouco, é longo e barulhento demais. O melhor é rever os
clássicos de Menzel e Forman. Quiçá até o tal filme de Angelopoulos...
4/10
domingo, 16 de dezembro de 2012
TCN Blog Awards 2012
Precisamente nas traseiras do Mosteiro dos Jerónimos, o Centro Cultural Casapiano foi o local escolhido este ano para albergar os TCN Blog Awards. Depois de uma viagem de 3 horas de carro e de encher o bandulho com esparguete à beira-rio, com vista para o Jardim da Praça do Império de um lado e o Padrão dos Descobrimentos do outro, lá fui fazer o check-in. Estava preocupado com a possibilidade de o meu nome não aparecer na lista, dado a minha apurada memória apenas me ter lembrado de reservar o lugar por email na noite do dia anterior, mas não, lá estava O Narrador Subjectivo algures na lista.
Como foi a minha primeira presença neste "certame" não sabia bem o que esperar, pelo que fiquei impressionado com a capacidade de planeamento e de improviso do Manuel Reis enquanto anfitrião. Os muitos momentos de interacção com o público, em especial, ajudaram a manter a atmosfera relaxada do início ao fim, não tendo escapado algumas referências às situações, equívocos e frases mais embaraçosas do ano. Nota de rodapé, descobri que ambos temos a Luísa Barbosa (que marcou presença no evento e apresentou um dos prémios) e a Odete Santos no top3 das portuguesas mais sensuais.
Foi uma pena não se ter visto as 3 curtas que estava planeado serem projectadas ao longo da cerimónia, devido a problemas com o som em Assim Assim, de Sérgio Garciano (que deu origem, há pouco tempo, a uma longa-metragem com algum sucesso comercial e um grande elenco de actores) e em Black Mask (Filipe Coutinho), que provavelmente só não se manifestaram durante a exibição de Auguste (Amadeu Pena da Silva, Pedro Santasmarinas) pelo simples facto de não conter quaisquer diálogos. Sessões de cinema durante um evento destes cortam um pouco o ritmo, mas gosto sempre de ver novos trabalhos.
O Narrador Subjectivo não venceu em nenhuma das 2 categorias para que estava nomeado directamente (Melhor Blog Individual e Melhor Crítica de Cinema) nem viu nenhuma das iniciativas em que participou ganharem o prémio correspondente, mas fica aqui uma mensagem de parabéns à concorrência, pois sei que a vitória dos meus colegas do CCOP Catarina D'Oliveira e Tiago Ramos foram mais que merecidas. Lamento ter encurtado o convívio final com todos os que conheci neste dia, mas certamente haverão outros encontros. Cumprimentos a todos vocês e à organização desta festa, que atingiu dimensões surpreendentes.
Agradecimentos finais ao pessoal do TVDependente, que me aturou durante o almoço e à tardinha, à Carolina Sales, que me deu os enormes posters de cinema que tinha ganho, incluindo um do Amour (Michael Haneke ftw), e, em especial, ao Vitor Rodrigues, Ricardo Leal e António Guerra, pela boleia e companhia, incluindo uma viagem de regresso mais longa do que o esperado!
Lista dos vencedores dos TCN Blog Awards 2012:
- Blogger do Ano: Nuno Reis (Antestreia, Sci-Fi World)
- Melhor Blog Individual: Close-Up
- Melhor Blog Colectivo: TVDependente
- Melhor Site: Magazine HD
- Melhor Novo Blog: Hoje vi(vi) um filme
- Melhor Artigo de Cinema: Ninho De Cucos, por Gustavo Santos
- Melhor Artigo de Televisão: RTP2 - Sentimento de Revolta, por Rui Alves de Sousa
- Melhor Crítica de Cinema: O Cavalo De Turim, por Tiago Ramos
- Melhor Crítica de Televisão: House 8x22, por Mafalda Neto
- Melhor Entrevista: Conversa com Jonathan Rosenbaum, por Miguel Domingues
- Melhor Iniciativa: Ficheiros Secretos - 10 Anos, do Imagens Projectadas
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
TRAILERS: Man Of Steel (Zack Snyder, 2013)
Fico um bocado perplexo com esta lógica, que está transformada em moda, de fazer remakes de histórias de origem que já tiveram remakes há 5-10 anos, mas a verdade é que a ideia de Zack Snyder a realizar um filme do Super-Homem é maravilhosa e este trailer deixa água na boca. Ah, e a Amy Adams é a Lois Lane!
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Faust (Aleksandr Sokurov, 2011)
In Soviet
Russia, you don’t see paintings; paintings see you. Bem, a Rússia já não
é um estado soviético e, mesmo que fosse, a acção de Faust desenrola-se na
Alemanha do séc. XIX, mas a verdade é que este filme de Sokurov parece
transportar-nos para um museu de pintura, talvez flamenga, ou melhor ainda, dá
o efeito de um museu de pintura flamenga a circundar à nossa volta enquanto
estamos sentados numa cadeira e mais do que obrigar-nos a prestar atenção aos
contrastes de luz e significados alegóricos, perscruta-nos sub-repticiamente,
como que mostrando a descida ao inferno da personagem principal, mas, acima de
tudo, perguntando até que ponto qualquer um de nós consegue resistir às
tentações do diabo.
O realizador, como bom aluno do mestre Tarokvsky que foi,
sempre primou pelo fulgor visual, ou não estivéssemos a falar do homem por
detrás de Russian Ark, uma mastodôntica viagem pelo Hermitage contida num único
plano-sequência de 96 minutos, mas considero Faust mais multidimensional; a
imagem, maioritariamente difusa, captada por filtros que variam na distorção
que provocam e na claridade que transmitem, tem uma opressiva qualidade onírica
que reflecte a fantasia e o grotesco inerentes a esta lenda, popularizada pela
interpretação dramatúrgica de Goethe, de um médico que assina em sangue um
contrato com Mefistófeles para obter amor e conhecimento, pagando o preço com a
sua alma.
Conto pelos dedos as vezes em que já me senti a imergir
tão profundamente no surrealismo de um filme unicamente graças à fotografia
como aqui e a intenção desse efeito é mesmo evidenciada por um mergulho dado no
rio, arrastando Gretchen, a jovem por quem Faust se baba e cuja inocência fere
na tentativa de a possuir. A queda dele causa tanta vertigem que a tela chega a
ameaçar rodar sobre um eixo horizontal para o seguir. Faust procura, acima de
tudo, poder, e é nessa perspectiva que Sokurov o insere numa tetralogia
inaugurada com Moloch, a que se seguiram Taurus e The Sun, com a diferença de
esses se focarem em figuras históricas (Hitler, Lenine e Hirohito) cuja
corrupção moral teve consequências bem reais.
O seu estilo, contudo, é mais adequado à fábula e revela-se
engrandecido com esta mudança. Não mais sob uma influência demasiado ostensiva
do seu professor (The Lonely Voice Of Man ou The Second Circle, por exemplo,
parecem-me ainda hoje ideias que Tarkovsky mandaria para o lixo), Sokurov
encontrou, com o passar do tempo, novos caminhos por onde levar as suas próprias preocupações éticas, familiares e espirituais, ancorando-as também em vagueza narrativa
e plasticidade estética. Os diálogos são incessantes e o humor passa
frequentemente despercebido, é verdade (há algum no início, talvez extraviado) – mas olhem bem para esta maravilha! In (not-so) Soviet Russia, you don’t speak of the devil; the devil
speaks of you.
8/10
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
TRAILERS: Little Manhattan (Mark Levin, 2005)
Este filme é adorável, não há outra palavra. Para além disso, explora cantos de Nova Iorque muito para além do olhar turístico, lugarzinhos que todas as cidades têm mas normalmente só os nativos conhecem, o que é sempre interessante. Também há um tempo para a lamechice e quando ele chega encaixar o Little Manhattan é uma decisão acertada.
domingo, 2 de dezembro de 2012
SONDAGENS: Novembro de 2012
Qual o melhor James Bond?
- Sean Connery (35%)
- Roger Moore (21%)
- George Lazenby (21%)
- Pierce Brosnan (14%)
- Daniel Craig (7%)
- Timothy Dalton (0%)
Amostra: 14 votos.
O melhor James Bond de sempre, segundo os leitores deste blog, é Sean Connery, o 007 cinemático original. George Lazenby surpreende ao ficar em 2º (empatado com Roger Moore); apesar da qualidade do filme On Her Majesty's Secret Service (o único com gravações em Portugal), o actor australiano foi o menos utilizado no franchise.
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