Michael Cera e Kat Dennings são a dupla perfeita para um filme indie e quirky que também consegue ser heartfelt e true to life. Desculpem os anglicismos, mas Nick And Norah's Infinite Playlist é realmente um agradável romance urbano, com grandes jovens actores, a vida nocturna de Nova Iorque como personagem e uma banda sonora de elevada qualidade.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Yol (Serif Gören, Yilmaz Güney, 1982)
Yol acaba com um agradecimento a todos os que nele
participaram, à frente e atrás das câmaras, superando as grandes contrariedades naturais e sociais que dificultaram a sua execução. Quanto às primeiras, na
altura em que esta mensagem aparece já terá ficado patente os sacrifícios que
devem ter sido feitos para conseguir gravar todas as cenas, que incluem
passagens por prisões de alta segurança, aldeias no deserto e trilhos nas
montanhas mais remotas e com condições atmosféricas mais adversas que se pode
conceber. Relativamente à segunda parte, é acima de tudo uma referência ao facto
de Yilmaz Güney, argumentista/realizador curdo, estar preso na altura e de as
filmagens terem sido secretas e coordenadas pelo seu assistente, Serif Gören.
Com o golpe de estado de 1980 na Turquia, Güney conseguiu
fugir para a Suiça no ano seguinte, onde montou o filme, que viria a ganhar a
Palma de Ouro no festival de Cannes. É sobre essa época conturbada que se foca
a história, na qual vários reclusos da prisão de Imrali (a mesma de Midnight
Express) recebem licença de saída jurisdicional. A quantidade de personagens
que somos levados a seguir acaba por ser a sua principal força e fraqueza,
porque vemos vários lados e perspectivas dos conflitos que se propagavam por
todo o país (chegou a ser fundado um movimento armado para a fundação de um
estado curdo e, como consequência, foi imposta uma lei marcial), mas algumas
acabam por ser inevitavelmente menos interessantes que outras.
Duas delas sobressaem: Mehmet Salin, um homem à procura de
paz e dignidade, que vive com o remorso de ter abandonado o cunhado durante um
roubo a dois e de o ter visto ser abatido à queima-roupa pela polícia através
do retrovisor, enquanto tentava fugir de carro. Temporariamente livre, Salin
quer pedir o perdão da esposa, filhos e restante família pela sua atitude
cobarde, motivada pelo medo. A primeira pessoa que vai ver é um amigo acamado,
a quem primeiramente conta uma versão um pouco mais heróica dos factos, só para
depois assumir que está a mentir e desabafar sem reservas. É um momento simples
e tocante, filmado com grande sobriedade. Ao mesmo tempo, Seyit Ali viaja à
terra natal para confrontar a mulher, que o cobre de vergonha por se ter
transformado numa prostituta.
Os espaços físicos do filme vão sendo cada vez mais extensos
e ermos, talvez indicando aquilo que estes homens realmente desejam: liberdade.
Porque não é só o crime e a política que os mantém cativos, mas também as
tradições religiosas e culturais, a que têm de obedecer quando deixam de ter de
obedecer aos guardas prisionais. O tratamento das mulheres merece reflexão; a
desigualdade entre sexos ainda não foi extinta nos países ocidentais, mas
podemos pôr as coisas em perspectiva se nos lembrarmos do quão atrasados estão
outros povos nesta matéria, a verdade é essa... Considerando tudo isto, é um milagre que este filme
tenha sido feito, e acredito que isso tenha sido tomado em conta na Croisette,
num ano particularmente forte. No entanto, a qualidade e o alcance de Yol é mesmo uma
evidência.
7/10
domingo, 27 de janeiro de 2013
2º Torneio Interblogues
Chegou ao fim o 2º Torneio Interblogues organizado pelo CINEdrio. O vencedor do intitulado "Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty" foi o Dial P For Popcorn, com 60% dos votos na final! Parabéns ao Jorge Rodrigues e ao João Samuel Neves pela prestação da sua equipa. A minha ficou-se pelos quartos-de-final, pelo que no estágio de preparação para a próxima época teremos de rever estratégias e iremos talvez ser activos no mercado de transferências. Foi assim que tudo correu:
QUATROS-DE-FINAL
O Narrador Subjectivo vs. CINEdrio
Caminho Largo vs. Rick's Cinema
Dial P For Popcorn vs. Keyser Soze's Place
Shut Up And Watch The Movies vs. A Sombra Do Elefante
SEMI-FINAIS
Caminho Largo vs. CINEdrio
Dial P For Popcorn vs. Shut Up And Watch The Movies
FINAL
Dial P For Popcorn vs. Caminho Largo
FOTOGRAFIAS: A Nightmare On Elm Street
"Porque é que estes fedelhos não me deixam ouvir a cassete do Rick Astley em paz?! Vou fazer-lhes a vida negra."
sábado, 26 de janeiro de 2013
TRAILERS: Evil Dead (Fede Alvarez, 2013)
Evil Dead é dos maiores tesourinhos do cinema de terror, conhecido pela sua violência extravagante, história quase inexistente e por ter trazido à ribalta o carismático Bruce Campbell. Agora, o primeiro filme de Sam Raimi, que na altura teve um orçamento tão apertado que os mais complexos planos de grua pelo meio do bosque acabaram por ser feitos por cima de skates (true story), ganha um remake. Esperemos que não cheire mal, como o realizador (Fede Alvarez).
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Veronika Decides To Die (Emily Young, 2009)
Veronika
Decide Morrer é talvez, a par de O Alquimista, o livro mais famoso de Paulo
Coelho, o escritor brasileiro que para uns encontra na espiritualidade resoluções
para sentimentos como o medo e o amor, e para outros apela à pieguice através
de charlatanismo. Sarah Michelle Gellar assume o papel principal de uma jovem
que não consegue deixar de estar permanentemente insatisfeita, se não com o
rumo que a sua vida tomou, então com o rumo que a sua vida pode tomar. Há
pessoas assim, que nem recebendo todo o dinheiro, toda a beleza, todo o carinho
do mundo deixam de ter pena de si próprias. Por vezes, estes casos
justificam-se com questões pessoais de fundo há muito enterradas ou com
distúrbios mentais, que os tornam merecedores de simpatia e compreensão.
Lembro-me de Face To Face de Ingmar Bergman, um filme verdadeiramente visceral
e envolvente sobre esta situação.
Veronika
Decides To Die não chega tão longe, limitando-se a uma superficial procura de
significado existencial, partindo da ideia sufista (a corrente mais
contemplativa do Islão) de que todos somos um bocadinho loucos, simplesmente
alguns perdem o controlo, para chegar à ideia de que a forma de lidar com um
pessimista é fazê-lo crer que o pior está a acontecer e rezar para que tenha
sido manipulado o suficiente para começar a ver o melhor em tudo. Há muitas más
concepções sobre os procedimentos psiquiátricos aqui, porque enfermeiros
agarrarem à força um paciente que mostra espontaneamente os primeiros sinais de
melhoria, apenas falando pela primeira vez ao fim de muito tempo internado, é
uma distorção da realidade, mas com a música certa torna-se um belo momento
dramático; a história é fina e incongruências destas são formas baratas de
sentimentalismo. Não quer dizer que não hajam cenas genuinamente tocantes,
lembro-me da visita dos pais de Veronika na instituição para a qual é enviada
depois da sua overdose voluntária de medicamentos, no entanto até essas sofrem
quase sempre com maus diálogos, má direcção de actores ou de prolongamento
desnecessário.
A
componente mais romântica, em que o relacionamento com um catatónico a faz
reavaliar a sua existência e o transforma no namorado perfeito sem grande
explicação, também não sai ilesa. Há pouca noção de ritmo, o que, associado a
uma realização que se limita a movimentos aleatórios, a focar só o que está em
primeiro plano, entre outros truques que acabam por não fazer transparecer a
claustrofobia, proximidade e desgraça iminente que se calhar se pretendia, estende
um manto de mediocridade sobre o filme. Eu não deixo de gostar da Sarah
Michelle Gellar e de achar que o seu esforço enquanto protagonista é mais que
satisfatório, para não falar de Melissa Leo e Erika Christensen, também elas residentes
na instituição, e agradeço aos argumentistas a redução ao essencial do misticismo
frequentemente parolo de Paulo Coelho, mas o material de origem já não é,
digamos, muito eloquente, e a execução de Emily Young não o eleva a outro
nível.
5/10
sábado, 19 de janeiro de 2013
CITAÇÕES: The Mission (Roland Joffé, 1986)
Mendoza (Robert De Niro): For me there is no redemption, no penance great enough.
Gabriel (Jeremy Irons): There is. But do you dare to try?
Mendoza: Do you dare to see me fail?
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
CURTAS: Umshini Wam (Harmony Korine, 2011)
Há filmes estranhos. E depois há os filmes de Harmony Korine. No meio deles... isto.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
La Stanza Del Figlio (Nanni Moretti, 2001)
A veneração de Nanni Moretti pelo humor físico e absurdo de
personalidades incontornáveis do cinema americano como Buster Keaton ou Harold
Lloyd é bastante evidente em filmes como Bianca ou Palombella Rossa, mas com o
passar do tempo os paralelismos com Woody Allen foram-se tornando cada vez mais
pronunciados e pertinentes, apesar da substituição de constantes referências e
dilemas religiosos por políticos. Ambos refinaram um equilíbrio entre drama e
comédia com um cunho muito próprio que, no caso do italiano, atinge o cume neste
filme.
Não consigo imaginar pior destino para qualquer casal do que
ter de enterrar um filho e terá sido esse medo a inspirar La Stanza Del Figlio,
com o advento da paternidade para Nanni Moretti, na altura. Nota-se uma
preocupação urgente e primordial sobre a imprevisibilidade do presente, no
fundo a impossibilidade de uma família estar preparada para a morte prematura
de um dos elementos, especialmente quando se acerca de forma tão súbita como
aqui. Tudo se resume a um acontecimento universal, antecedido pela manutenção
de um quotidiano trivial e sucedido pela sua degradação.
Na ausência de história, é surpreendentemente captivante ver
momentos da intimidade caseira sucederem-se, por serem facilmente reconhecíveis
e por adquirem conotações diferentes em alturas diferentes. Acho que as
frustrações do trabalho, o cultivar de hobbies ou as refeições em conjunto
preenchem o dia-a-dia de muito boa gente, e neste filme não passam por mais do
que isso, não são instrumentos de um enredo, são apenas retratos através dos
quais ficamos a conhecer estas pessoas. A câmara inclui-nos neste lar e fica
intrínseco um nível de proximidade inexcedível.
A inconsistência no tom que afecta muitos dos trabalhos de
Moretti não é um problema em La Stanza Del Figlio. É reconfortante não ser
submetido nem a uma lavagem de humor seco, referências esquerdistas e desfechos
desenxabidos, nem a um caldo de miserabilismo. Para voltar a Woody Allen, não é
Bananas nem Interiors – e ainda bem. Há um sentimento orgânico de neutralidade
que abre a possibilidade de nos rirmos quando o pai psicólogo pensa em piadas
sobre os pacientes enquanto os ouve, antes de Andrea falecer, e de ficarmos vulneráveis
quando lhe dá vontade de chorar em pleno consultório, depois do acidente.
Laura Morante volta a fazer, como em Bianca, uma grande
dupla com o actor/realizador (que, já agora, nunca me pareceu muito musical,
mas aqui usa a By This River do Brian Eno na perfeição). Brevemente, vemos como
a dor de uma tragédia tão inesperada quanto verosímil pode levar à raiva, à
separação física e emocional ou à culpabilização. Contudo, há que recuperar uma
abertura de espírito que permita descobrir novas ou redescobrir antigas razões
para seguir em frente. O festival de Cannes talvez nunca tenha premiado com a
Palma de Ouro um filme mais desarmante na sua simplicidade.
8/10
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