quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

FOTOGRAFIAS: Faye Dunaway

A inimitável Faye Dunaway de ressaca, com dificuldade em acabar o pequeno almoço, na piscina do Beverly Hills Hotel, na manhã de 29 de Março de 1977, ou seja, algumas horas depois de ter ganho o seu único Óscar, como actriz principal em Network, e de ter festejado conformemente.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

NOTÍCIAS: Óscares 2013

O recentemente renomeado Dolby Theatre acolheu mais uma edição dos Óscares. Para quem esteve acordado, o dourado do sol da Califórnia e das estatuetas contrastaram com a madrugada fria deste lado do mundo, mas a imprevisibilidade de Seth MacFarlane fez o espectáculo valer a pena, para além dos anúncios dos vencedores. Muitos repetentes nas categorias principais, como Ang Lee ou Daniel Day-Lewis, e o prazer de ver Quentin Tarantino subir ao palco 18 anos depois de Pulp Fiction ou Jennifer Lawrence ganhar um merecido Óscar aos 22 anos - estou disponível para te mostrar tudo o que precisas de ver em Portugal, caso decidas tirar umas férias agora!

Melhor Filme: Argo
Melhor Realizador: Ang Lee (Life Of Pi)
Melhor Actor: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Melhor Actriz: Jennifer Lawrence (Silver Linings Playbook)
Melhor Actor Secundário: Christoph Waltz (Django Unchained)
Melhor Actriz Secundária: Anne Hathaway (Les Misérables)
Melhor Argumento Original: Quentin Tarantino (Django Unchained)
Melhor Argumento Adaptado: Chris Terrio (Argo)
Melhor Filme Estrangeiro: Amour

Lista completa dos vencedores

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Separation (Asghar Farhadi, 2011)


A Separation esteve quase para ser abortado, depois do seu realizador ter exprimido saudade e simpatia por colegas conterrâneos expatriados pelas suas convicções políticas. Amenizada a situação, e graças a financiamento americano, acabou por ver a luz do dia, ganhando o Urso de Ouro de Berlim e o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012. Como um dos outros nomeados aquando desta segunda distinção era o israelita Footnote, o mesmo governo iraniano que inicialmente censurou Asghar Farhadi, congratulou-se com mais uma vitória, desta vez cultural, sobre o sionismo. Ai está a teocracia de Ahmadinejad em súmula.

Mas pontapeemos estas minudências para longe, porque como dizia Chantal Akerman "um filme é um filme é um filme". O título é auto-explicativo, Simin e Nader, casados há 14 anos, estão em rota de colisão. Ela quer emigrar por umas razões, ele quer ficar por outras. Termeh, a filha menor, está no meio do furacão engendrado pelos pais e também tem legalmente voto na situação. Já o avô, está completamente alheado por ter Alzheimer e ser bastante dependente. Isto tudo é discutido num long take que define o tom logo de início: pouco na vida é preto e branco.

Pensem num kitchen sink drama (onda inglesa dos anos 60) mas em Teerão. A lei árabe tem incompatibilidades com as sociedades ocidentais, sendo a mais óbvia a sinergia entre estado e igreja, e a entrada em cena de outro casal de origens mais modestas expõe muitas falências. Os maiores conflitos são, ex aequo, os do quotidiano e os judiciais, e, de uma forma ou de outra, as frustrações abrem caminho a más escolhas, mentiras e sentimentos de culpa. A Separation é uma bola de neve que testa as convicções morais de adultos que nem sempre têm noção do efeito das suas incongruências nas crianças.

A clareza da economia de meios e da linguagem de Asghar Farhadi é incisiva, e torna-se desolador ver a inocência de Termeh espezinhada por exemplo quando pergunta ao pai se mentiu ao juiz durante o processo em que é acusado de mandar uma mulher grávida escadas abaixo e este esquiva-se, depois confessa e no fim assume-se pronto a voltar atrás nas suas declarações se a filha assim o quiser, mas, para que conste, irá para a prisão entre 1 a 3 anos. As suas dúvidas são legítimas mas não merecem ser deixadas à consideração de uma rapariga que já está a ser forçada a escolher entre dois lares.

Todavia, a situação é muito injusta e é alimentada pela dor do outro casal, que procura um subterfúgio para um aborto acidental. As circunstâncias estão em constante mutação, sendo impossível definir heróis e vilões, apenas grandes actores, que fornecem às personagens o realismo e o humanismo que o filme requer. O Corão aparece em todo o lado, mas a Bíblia também tem algo a dizer sobre não julgarmos para não sermos julgados, não condenarmos para não sermos condenados, perdoarmos para sermos perdoados. Afinal, há certos conceitos que são universais.

9/10

sábado, 23 de fevereiro de 2013

CITAÇÕES: The Wind That Shakes The Barley (Ken Loach, 2006)

Damien O'Donovan (Cillian Murphy): It's easy to know what you are against, but quite another to know what you are for.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

CURTAS: Fresh Guacamole (PES, 2012)

O filme mais curto de sempre nomeado para um Óscar é uma animação extremamente criativa que propõe novos ingredientes para uma taça de guacamole, à base de plasticina recolhida do interior de granadas. Parece que tudo é comestível para o realizador, que opta por usar o nome de um simulador de futebol como pseudónimo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Padre Padrone (Paolo Taviani, Vittorio Taviani, 1977)


Apesar de nunca ter residido num meio rural, sempre tive família na aldeia, por isso o contacto com este ambiente não me é completamente estranho, mas não me permito especular sobre o isolamento e o atraso que se pode sentir nessas condições, muito menos em décadas passadas, onde as tecnologias triviais de hoje eram uma miragem. Se ainda me lembro de jantar à luz das velas devido aos constantes apagões em tempos de chuva na década de 80, nem quero imaginar como seria antes.

Por conseguinte, consigo reconhecer a austeridade e o arcaísmo de Padre Padrone e associá-los a essas memórias, mas não deixei de ser surpreendido pela representação do dia-a-dia destes pastores sardenhos, pela dureza das suas vidas e pelas suas técnicas de combate à monotonia. A pobreza de uma família que tira o filho da escola primária para cuidar dos rebanhos, a solidão das incursões prolongadas nas montanhas e a insularidade são realidades palpáveis e implacáveis.

Gavino é o saco de porrada predilecto do pai, que considera uma desonra o filho querer estudar e prefere endurecê-lo e educá-lo na sua profissão, usando métodos como abandoná-lo com as ovelhas à noite ou castigá-lo por ter medo de uma cobra. Ele cresce e, depois de anos neste marasmo, é enviado à força pelo pai para o exército, onde aprende a ler e a escrever em várias línguas e contacta com a música e a electrónica, acabando por decidir rebelar-se contra o seu destino na terra natal e perseguir uma educação superior.

O feitiço vira-se contra o feiticeiro, de tal forma que esta história é enquadrada por entrevistas com o autor do livro no qual Padre Padrone é baseado, ou seja, o verdadeiro Gavino, que acabou por se tornar escritor. Se estes relatos são verídicos ou ficcionados, se resultam de um desejo de partilhar experiências ou de expiar frustrações, não sei, o que é verdade é que os irmãos Taviani não poupam no miserabilismo nem têm qualquer noção de continuidade e o filme torna-se difícil e aborrecido rapidamente.

Para além de uma das cenas mais bizarras de que tenho memória, em que crianças cometem actos variados de bestialismo, a violência doméstica é tão incessante que chega a ser injustificável perante as situações apresentadas, a mãe parece bipolar e o pai podia inspirar alguma indulgência, mas não, é impossível, de tão desumano e alarve que é. Se calhar, de outra forma, Padre Padrone não transmitiria tão bem o quão selvagem a Sardenha parece ser; essa aspereza impressiona, mas as peças não encaixam todas.

5/10

domingo, 17 de fevereiro de 2013

NOTÍCIAS: Berlinale 2013

O desconhecido Netzer ganhou o Urso de Ouro ao seu terceiro filme, Child's Pose, sobre uma mãe que faz de tudo para evitar que o seu filho vá para a prisão, depois de ter atropelado mortalmente uma criança. A cerimónia não foi particularmente memorável para os portugueses, apesar de João Viana ter recebido uma menção especial para Melhor Primeiro Filme por A Batalha de Tabatô.

Urso de Ouro: Child's Pose (Calin Peter Netzer)
Melhor Realizador: David Gordon Green (Prince Avalanche)
Melhor Actor: Nazif Mujic (An Episode In The Life Of An Iron Picker)
Melhor Actriz: Paulina Garcia (Gloria)
Melhor Argumento: Jafar Panahi, Kambozia Partovi (Closed Curtain)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

TOP5: NBA

05. Thunderstruck (John Whitesell, 2012)
Kevin Durant é uma das mais recentes vedetas da liga americana de basquetebol. O jogador dos Oklahoma City Thunder tem um talento especial para a finalização... e devia-se ficar por aí, porque como actor tem um alcance tão elevado quanto a bola de volley de Cast Away.  Para além do mais, Thunderstruck rouba a ideia do filme que vem a seguir, mas numa história muito menos criativa. Tem graça, naquele jeito de Domingo à tarde.

04. Space Jam (Joe Pytka, 1996)
Bugs Bunny e companhia voltam a aparecer numa fusão de live action com animação, depois de Who Framed Roger Rabbit (1988), agora acompanhados do melhor jogador de sempre: Michael Jordan. O segundo-base estava, na altura, de regresso aos Chicago Bulls, depois de ano e meio retirado, no seguimento do assassinato do seu pai, e é com esse período que o filme joga. Os Looney Tunes têm o futuro ameaçado por aliens e precisam da ajuda de Jordan para ganharem uma aposta. Divertimento garantido e banda sonora memorável (I believe I can fly!). Larry Bird, Charles Barkley, Patrick Ewing, entre outros, têm aparições.

03. He Got Game (Spike Lee, 1998)
Um dos melhores filmes que o Spike Lee alguma vez fez é sobre talvez a sua paixão mais pública depois do cinema: o basquetebol. He Got Game é um drama urbano sobre as tentações que rodeiam uma estrela de secundário requisitada pelos programas desportivos de várias universidades, que não hesitam em recorrer a oferecer ilegalmente prendas para atrair as maiores promessas. Ray Allen, actor principal, viria a tornar-se o recordista de triplos da NBA em 2011; mostra aqui um raro alcance como actor.

02. Airplane! (Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker, 1988)
Uma das mais hilariantes e reconhecidas comédias de sempre conta com Leslie Nielsen, sim, mas também Kareem Abdul-Jabbar como um co-piloto vítima de intoxicação alimentar. Numa cena mítica e que manda pela escotilha muitas convenções da escrita de um argumento, o melhor marcador de sempre da liga americana (há 30 anos no topo da lista) é reconhecido por uma criança a bordo e a personagem é quebrada.

01. Blue Chips (William Friedkin, 1994)
Num estilo ainda mais intenso e frenético que em He Got Game, Friedkin filma Nolte como um treinador de basquetebol numa universidade com historial mas que, actualmente, anda pelas ruas da amargura, e que, por isso, cede à pressão e recorre a esquemas ilegais para atrair jogadores promissores para a sua equipa. É um conto moralista com um final justo, que explora muito bem a componente de treino e o ambiente do mundo universitário, com jogadores como Shaquille O'Neal ou Penny Hardaway a darem uma óptima contribuição. Larry Bird tem um cameo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

TRAILERS: A Glimpse Inside The Mind Of Charles Swan III (Roman Coppola, 2012)

A estreia de Roman Coppola como realizador faz-se, claro, com montes de actores habitués nos filmes de Wes Anderson, como Bill Murray ou Jason Schalskufhysfzan. Conhecendo o que costuma escrever, não estaria à espera de poder dizer que A Glimpse Inside The Mind Of Charles Swan III consegue ser ainda mais inconvencional, mas este trailer deixa antever uma viagem muito bizarra.