Inequivocamente, Michael Snow não é para todos. O canadiano especializou-se a fazer os filmes experimentais mais estáticos de sempre, espicaçando o espectador para transformar ele mesmo a realidade à medida que o tempo passa (e algumas demoradas variações vão conduzindo a nossa percepção para novos padrões). Eis pois Wavelength, um desafio de 40 minutos à vossa paciência.
quinta-feira, 21 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
CITAÇÕES: Man Of Iron (Andrzej Wajda, 1981)
Maciej Tomczyk (Jerzy Radziwilowicz): Listen, can I ask you to do something?
Dzidek (Boguslaw Linda): Whatever you want.
Maciej Tomczyk: Fuck off.
sábado, 16 de março de 2013
When Father Was Away On Business (Emir Kusturica, 1985)
When Father Was Away On Business não é sobre um patriarca
que viaja muito para estabelecer ou manter relações comerciais essenciais para
o seu negócio, mas é essa a percepção que o filho mais novo de Mesa Malkoc tem.
A sua ingenuidade acompanha a história e realça o âmago surreal dum período que
ficou conhecido como Informbiro, durante o qual vários jugoslavos foram
mantidos em campos de trabalhos forçados por expressarem simpatia pelo modelo
comunista de Estaline, com quem Tito mantinha um feudo nos anos 50, apesar de
professar a mesma base ideológica.
O pequeno Malik não percebe porque o pai tem de passar
temporadas tão compridas longe de Sarajevo e ainda por cima sem dar notícias. O
resto da família quer proteger a sua infância e mesmo quando são autorizados a
visitar Mesa, fazem aquilo parecer um emprego essencial para a nação. Na
realidade, ninguém sabe completamente o que se está a passar, como é que um
comentário sobre um cartoon pode ser pretexto suficiente para encarcerar alguém
por anos, porque não podem enviar ou receber correspondência e porque é que o
idiota do tio não faz nada para ajudar e ainda namora com a delatora.
São tempos de grandes dúvidas e confusões, de maior
isolamento físico e mental. O filme passa por 2 fases: na cidade têm as suas
raízes e ligações, mas estão separados, em Zvornik, para onde acabam por ser
realocados, no interior do país, voltam a viver debaixo do mesmo tecto, mas
estão num meio que não é deles. Malik encara estas mudanças com relativa
indiferença, num sítio diverte-se a ouvir futebol no rádio e a jogar, no outro
conhece o seu primeiro amor, Masa, filha de um médico russo, na casa de quem, a
certa altura, procura os quadros habituais de Tito ou seus camaradas, mas
encontra apenas gravuras religiosas.
Para ele é um pormenor evidente mas insignificante. No
entanto, considerando que o ditador havia sido excomungado pelo Vaticano por
prender o proeminente cardeal Stepinac em 1945 ou que há provas de perseguições
a líderes da igreja ortodoxa na mesma altura, o intuito de Kusturica pode já
não ter sido inocente. São estas subtilezas que lamento que o realizador tenha
perdido algures pelo caminho, tendo deixado o tom caricatural absorver a
profundidade e até a humanidade das personagens em Underground ou Black Cat,
White Cat para dar lugar a mais ritmo e mais ruído.
Claro que eu não precisava de ver Mesa a trair a esposa
tantas vezes, já que é suposto estar solidário com toda a família depois das
provações que o regime lhes impôs, e não apenas com os filhos e com a sua mãe,
que trabalha duramente e segue sempre o marido. When Father Was Away On
Business até evita focar-se demasiado na seriedade da situação, preferindo
estabelecer um paralelo entre a natural ignorância de uma criança com o estado
de insularidade imposto, mas é suficiente para dar uma ideia da toxicidade
do ambiente na sociedade. Com isso consegue ser engraçado, comovente, sonhador
e, assim, corajoso.
7/10
sexta-feira, 15 de março de 2013
TRAILERS: The Bling Ring (Sofia Coppola, 2013)
Não sei até que ponto o resultado final deste filme será assim tão diferente das mood pieces anteriores de Sofia Coppola, mas o trailer deixa água na boca.
quarta-feira, 13 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
House At The End Of The Street (Mark Tonderai, 2012)
Imagino a confusão que um fã de filmes de terror disléxico possa
vir a ter quando os DVDs de The Last House On The Left e de House At The End Of
The Street começarem a ser colocados nas mesmas prateleiras das lojas. São do
mesmo género, por isso, à partida, a desilusão, caso trouxesse um ou outro por
engano, não seria grande. No primeiro, a violência extrema constante
garantiu-lhe a entretanto extinta classificação X nos EUA e um estatuto de
culto, especialmente por ter marcado a estreia de Wes Craven. O segundo nunca
procura atingir, nem de longe nem de perto, o mesmo nível de choque, tentando
antes adensar o suspense com dúvidas e revelações, mas tem um factor que
imediatamente lhe garante maior interesse: Jennifer Lawrence.
Sarah (Elizabeth Shue) divorciou-se e foi morar para uma
nova cidade com a filha, Elissa. A casa que escolheram é enorme e deixa
adivinhar uma factura de aluguer bastante elevada, mas rapidamente somos
informados que não é esse o caso, porque noutra ao lado uma rapariga assassinou
os pais e desapareceu. Agora, apenas o seu irmão mais velho vive lá, ostracizado
pelo resto da vizinhança e pelos colegas do liceu onde anda, o que é um bocado
estranho, já que estava fora quando tudo aconteceu e não tem culpa de ser
órfão. Curiosamente, essa atitude pode vir a revelar-se acertada, porque quando
Ryan (Max Thieriot) entra em cena é apresentado como um jovem pacato que
oferece boleia numa noite chuvosa à recém-chegada Elissa, mas logo a seguir
vemos que mantém a pequena Carrie Anne fechada na cave.
Como podem adivinhar, a escrita não é propriamente
revolucionária. Há algumas surpresas no final, mas grande parte do tempo é uma
gestão das relações entre mãe e filha e filha e rapaz-estranho-mas-atraente.
Sarah é demasiado protectora e revela-se inadequada em algumas situações, o que
tem o efeito contrário e faz Elissa aproximar-se ainda mais de Ryan, para ser
do contra e porque tem uma tendência para escolher rapazes problemáticos e
transformá-los nos seus projectos. Apesar dos muitos lugares-comuns deste tipo
de filmes, o carisma de Jennifer Lawrence é capaz de tornar o mais banal dos
diálogos numa obra-prima e esqueço-me logo das semelhanças com Fear ou White
Single Female nos momentos de maior tensão só por ser ela a protagonista. É a única razão para ver House At
The End Of The Street.
4/10
quarta-feira, 6 de março de 2013
The Avengers (Joss Whedon, 2012)
Sendo que o regresso destes jovens foi um dos pontos altos do ano musical que passou, não podia deixar de mencionar esta música, que foi, por sua vez, um dos pontos altos do filme The Avengers. Rock on!
segunda-feira, 4 de março de 2013
SONDAGENS: Fevereiro de 2013
Qual o melhor filme caseiro português?
- Ninja das Caldas (43%)
- Outro (25%)
- Balas & Bolinhos (18%)
- O Estrondo (12%)
Amostra: 16 votos.
Digam-me os vossos nomes para eu vos perguntar por ordem alfabética quais são os outros filmes que receberam tantos votos. As cassetes privadas do Tomás Taveira? Espero que não. Ele muito labutou, mas também não conseguiu encontrar o Búzio Dourado.
sábado, 2 de março de 2013
Beasts Of The Southern Wild (Benh Zeitlin, 2012)
Quando um filme se apresenta com uma narradora infantil a
debitar tiradas simples mas filosóficas sobre a natureza e os corações das suas
criaturas enquanto a câmara procura incessantemente o movimento das árvores, da
água e do fogo-de-artifício que a rodeiam, é difícil não pensar em Terrence
Malick, para quem o lugar da humanidade no universo e a relação entre ambos são
fontes de constantes dilemas, alguns dos quais demasiado esotéricos para terem
explicação empírica.
No entanto, Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) não questiona,
apenas afirma. Na sua inocência, absorve o que vê e o que ouve, criando a sua
versão dos factos da vida, como qualquer criança, o que dá a Beasts Of The
Southern Wild um tom de fantasia optimista que Benh Zeitlin torna surpreendentemente
compatível com o cenário pantanoso do Louisiana, à mercê da influência da
industrialização e das alterações climatéricas, onde habitam comunidades à
margem da sociedade.
Apesar das catástrofes que se sucedem, a sua perspectiva é
inalterável, ficando nas mãos do espectador destrocar a precariedade das
condições na comunidade da Banheira, onde há uma montanha de lixo por cada
cipreste exuberante, a morte da mãe, apesar de Hushpuppy estar convencida que
ainda a vai encontrar um dia, e a desconsideração que o pai tem pelas
autoridades e pela sua própria saúde, deixando a filha frequentemente à guarda
de terceiros ou ao acaso.
Não é propriamente má parentalidade, mais a necessidade
angustiante de preparar a pequena para a possibilidade da orfandade e o quotidiano
natural de um mundo algo perdido, numa época nunca especificada, que tem tanto
de idílico como de duro, onde as crianças andam ao ar livre, sabem que os
caranguejos são comestíveis mas também seres vivos como elas, e onde pode haver
pobreza material, mas nunca espiritual. Acima de tudo, este mundo pertence a Hushpuppy, e
não o contrário.
O realismo mágico de Zeitlin é de uma alegria melancólica
consistente, ainda que a forma nem sempre seja a mais interessante. As câmaras
de mão frenéticas às vezes não permitem processar as imagens nem encontram os
melhores ângulos e a sequência do bar de alterne flutuante dá uma conclusão sofrível à ideia de que a menina precisa da mãe. A
jovialidade de Zeitlin é de louvar e certamente que o seu melhor cinema ainda
está para vir.
7/10
Subscrever:
Mensagens (Atom)





.jpg)

