domingo, 18 de agosto de 2013

Seal Team Six: The Raid On Osama Bin Laden (John Stockwell, 2012)

Como seria de esperar, a busca e a morte de Osama Bin Laden começam a alimentar a máquina de Hollywood. Em Janeiro de 2013, Zero Dark Thirty recolheu cinco nomeações para os Óscares, das quais apenas uma se materializou num prémio, mas ficou reforçada a ideia de que a América sente uma enorme atracção pelos episódios mais negros e dúbios da sua história, desde Pearl Harbor à guerra do Vietname ou ao assassinato de John F. Kennedy. Antes, o National Geographic transmitiu este Seal Team Six.

Pelos olhos de vários intervenientes na operação, a acção desenrola-se a um ritmo consistente, explorando o trabalho dos militares, da CIA e dos agentes infiltrados e realçando as incertezas que têm de ser mitigadas para o ataque ao complexo onde o terrorista vivia com grande parte da família no Paquistão ser aprovado. Entrevistas com as personagens, como se se tratasse de um documentário, servem de interlúdios – dispensáveis, já que o argumento é bastante auto-explicativo.

O maior ponto de interesse é guardado para o fim, com a reconstituição da missão (cujo objectivo é apenas revelado à equipa no momento em que são mobilizados para a empreenderem). Os tiroteios realistas, os planos POV e o ambiente nocturno, para além da satisfação da curiosidade mórbida em ver um homem ser alvejado até à morte, tornam a cena intensa q.b.. Obama aparece todo o lado, omnipresente, enquanto Osama é apenas uma sombra fugaz e sem rosto na escuridão.

Facilmente se reduziria o filme a uma hora, cortando os dramas cliché e desinteressantes vividos dentro da Seal Team Six, que não levam a lado nenhum. Teria mais relevo perceber melhor o dia-a-dia dos agentes no terreno que fazem a papa toda para a CIA, chegando mesmo a entrar no complexo, disfarçados de junta médica. Com mais ou menos exatidão quanto ao que aconteceu (supostamente as câmaras nos capacetes são um mito, por exemplo), este tele-filme é competente e, claro, revestido de fascínio histórico.

6/10

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mientras Duermes (Jaume Balagueró, 2011)

Lucas Vidal está longe de ser um grande nome no que diz respeito a música para cinema, mas o seu trabalho neste Mientras Duermes de Jaume Balagueró (esse sim, um nome cada vez maior na realização de cinema de terror) é de uma subtileza desarmante, algo triste, algo ameaçadora, perfeitamente adequada para um filme que segue um porteiro obcecado com uma jovem que vive no prédio em que ele trabalha. É uma história estranha, de intimidade invadida e confiança traída, que se cinge de quatro paredes - um dos melhores filmes de 2011.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

LISTAS: Rainer Werner Fassbinder

A lista dos 10 filmes preferidos de Fassbinder incide luz sobre a sua própria filmografia. Nela é possível verificar o gosto do alemão pelo melodrama, que cultivaria em Ali: Fear Eats The Soul e outros onde o comentário social é por regra mascarado pelas convenções de um género dado à emoção, ainda que seja curioso não estar incluído nenhum filme de Douglas Sirk, incontornável nesta matéria. Por outro lado, nota-se um fetiche com nazis. Até fico a pensar se Lili Marleen não terá sido um dos filmes que mais gosto lhe deu fazer...


  • The Damned (Luchino Visconti, 1969)
  • The Naked And The Dead (Raoul Walsh, 1958)
  • Lola Montes (Max Ophuls, 1955)
  • Flamingo Road (Michael Curtiz, 1949)
  • Salò, Or The 120 Days Of Sodom (Pier Paolo Pasolini, 1975)
  • Gentlemen Prefer Blondes (Howard Hawks, 1953)
  • Dishonored (Josef von Sternberg, 1931)
  • The Night Of The Hunter (Charles Laughton, 1955)
  • Johnny Guitar (Nicholas Ray, 1954)
  • The Red Snowball Tree (Vasili Shukshin, 1973)

domingo, 28 de julho de 2013

Act Of Violence (Fred Zinnemann, 1948)

Depois de em The Seventh Cross ter abordado, numa altura em que era raro ou delicado fazê-lo, os horrores dos campos de concentração nazis, Fred Zinnemann volta em 1948 ao confinamento em tempos de guerra de uma maneira menos directa, com um conto de vingança e decepção numa América entretanto declarada vitoriosa. Robert Ryan impõe toda a sua fisicalidade ao entrar em cena como um monossilábico nova-iorquino que sai de casa apressadamente para atravessar o país até à Califórnia. Mancando e com uma arma carregada, o seu objectivo é muito claro: matar Frank Enley.

Enquanto o primeiro começa por ser apresentado como uma figura ameaçadora e deformada, o segundo aparenta ser o oposto, um veterano das forças armadas com noções vincadas de família e comunidade, que promove o investimento na construção civil, contribuindo para o crescimento assolapado dos subúrbios, símbolo de uma nação próspera. Zinnemann explora uma ideia tornada recorrente, entrando por uma dessas casas adentro para revelar que a perfeição do espaço pode ser traiçoeira. Lentamente, os papéis invertem-se, os contornos difundem-se e um dia de pesca solarengo dá lugar a uma noite de terror urbano.

Parkson quer ajustar contas com o passado, depois de sobreviver a um massacre de prisioneiros de guerra cuja fuga foi denunciada às SS pelo seu superior, o oficial Enley, em troca de comida. Eternamente arrependido por ter abdicado dos seus princípios morais, este tem desde então primado por ser um pai, marido e cidadão exemplar. Talvez por isso seja difícil condená-lo completamente e se torne fascinante seguir a sua viagem pelos recantos mais insidiosos de Los Angeles, embebedando-se, escondendo-se, afastando-se para proteger a esposa, tentando encontrar uma solução.

A integridade é um tema de toda a filmografia de Zinnemann e também as mulheres deste filme se sentem ameaçadas, arrastadas por amor ou pela fortuna para o circuito de culpa e desilusão que Parkson e Enley não conseguem ultrapassar, o mesmo que perpassa pelo mais recente The Master. As caras metades de ambos unem-se para evitar males maiores, mostrando ser mais ponderadas e compreensivas perante uma situação que está longe de ser preto no branco. Já Pat oferece as soluções que conhece, retraindo-se de tirar proveitos da situação; Mary Astor traz dignidade a uma personagem com pouca sorte na vida.

Efectivamente, Act Of Violence faz-se de camadas e camadas diferentes de cinzento sobrepostas e realçadas pela cinematografia expressiva e arenosa de Robert Surtees, que considero ser das melhores de sempre em qualquer film-noir. Alguns planos, como o que inclui o funicular Angels Flight, um tesouro escondido da cidade, ou a sequência no túnel, que faz a memória dos que morreram por sua causa ecoar na cabeça de Enley, são imperdíveis. Dentro do género, poucos conseguem ser tão implacáveis e aludir com tanta intensidade às incertezas do pós-guerra.

9/10

quinta-feira, 25 de julho de 2013

CURTAS: Newman Laugh-O-Grams (Walt Disney, 1921)

A trabalhar numa companhia de anúncios em Kansa City, Walt Disney desenvolve um interesse por animação, mais especificamente da técnica de desenho directamente em celulóide (cel animation), por oposição aos recortes e colagens que era obrigado a fazer (cutout animation). Com uma câmara emprestada e a promessa do proprietário de um cinema local de passar os seus trabalhos, Disney  conseguiu criar a sua primeira curta conhecida, Newman Laugh-O-Grams. Rapidamente criou o seu próprio estúdio e a sua popularidade crescia tão rápido quanto as dívidas que amealhava. Quando o dinheiro se esgotou de vez, decidiu mudar-se para a Califórnia, com a ideia de começar uma série de cartoons sobre a Alice no País das Maravilhas, fundando para o efeito o Disney Brothers Cartoon Studio no centro de Los Angeles em 1923. O resto é história.

terça-feira, 23 de julho de 2013

CITAÇÕES: Chronicle Of The Years Of Fire (Mohammed Lakhdar-Hamina, 1975)

Ahmed: All our votes won't change anything. Elections, past and present, are only a sham. And I tell you: if we follow this path, they won't take us seriously. We'll be accomplices and compromise the future.

domingo, 21 de julho de 2013

Catfish (Henry Joost, Ariel Schulman, 2010)

Classificar Catfish não é fácil e o desafio primordial é conseguir determinar se é real ou não. Os realizadores insistem que sim, mas basta uma rápida análise dos seus currículos para perceber que Henry Joost e Ariel Schulman têm feito carreira como funâmbulos, sempre na corda bamba entre ficção e documentário, não sendo de espantar a sua associação ao franchise Paranormal Activity. Ainda assim, não deixa de ser estranho que os dois realizadores se tenham interessado pela história a princípio inofensiva do romance platónico de um companheiro de quarto com uma artista que este apenas conhece pelo Facebook.

Tudo começa quando a meia-irmã de 8 anos da misteriosa Megan Faccio contacta Nev, um crédulo fotógrafo que vê um dos seus trabalhos publicados no New York Times e acaba por receber um quadro a reproduzir a imagem algum tempo depois, pelo correio. Através da internet e telefone, ele acaba por criar alguma afinidade com Abby, a mãe Angela, e o resto da família, residentes no Michigan. No entanto, alguns pormenores não batem certo e Nev acaba por compenetrar-se da possibilidade de estar a ser enganado, o que não é fácil de aceitar quando já está estabelecido um certo nível de confiança.

O filme nunca se desvia desta premissa, uma decisão correcta que sai prejudicada apenas pela demora em fazer avançar os acontecimentos. Perde-se bastante tempo no início com os monólogos fofos mas algo delirantes de Nev sobre mensagens trocadas, uma relação, um possível futuro com Megan, que, não obstante, aparenta ser realmente bonita e receptiva. Ilusões que o próprio não tem, felizmente, problemas em ridicularizar quando se apercebe da burla de que está a ser vítima, quando ela lhe envia ficheiros MP3 de covers supostamente feitos por si que são, afinal, tirados do Youtube.

Nada que uma viagem interestadual não resolva. Os 3 amigos especulam sobre a verdade, mas deixam-na revelar-se lentamente à sua frente a partir do momento em que conseguem localizar Angela. Acima de tudo, é mais triste do que chocante, mas revelada e recebida com compaixão. Apesar do pouco apuro técnico, propositado ou não, dependendo do contexto em que o filme foi afinal feito, é uma história satisfatória e singular, que, ao contrário do que a campanha publicitária na altura fazia crer, com referências a Hitchcock e por ai fora, tem mais de drama do que de suspense.

7/10

quarta-feira, 17 de julho de 2013

TRAILERS: Searching For Sugar Man (Malik Bendjelloul, 2012)

Este documentário foi uma surpresa para mim; cenário mais improvável e agridoce para um artista é difícil. Rodriguez é um músico de Detroit que lançou dois álbuns nos anos 70 e que tinha tudo para ter sucesso... mas não teve. Excepto na África do Sul, facto que, por força de várias circunstâncias, o próprio desconheceu durante anos, tendo entretanto desistido do showbiz e regressado aos biscates na área da construção. Uma história única, que valeu ao realizador estreante o Óscar de Melhor Documentário da última edição.

terça-feira, 9 de julho de 2013

POSTERS: Máscaras

O artista espanhol Alejandro de Antonio Fernandez assinou esta série de posters caseiros minimalistas que remetem para alguns dos mascarados mais famosos da história do cinema.