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domingo, 4 de maio de 2014

TOP5: Asfalto

As ruas e estradas ocupam um lugar especial no imaginário do cinema, tantas vezes assumindo um papel secundário, seja como cenário de uma determinada história ou pela sensação de liberdade e movimento que a simples menção ou memória das mesmas acarretam. Quantos filmes têm uma morada como título? Pickup On South Street, Wall Street, Broadway Danny Rose, etc. Quantos filmes não começam, acabam ou são dominados inteiramente por planos de rectas, curvas e contracurvas, que levam ao desconhecido? Ver Los Angeles de noite no início de Mulholland Drive, o monólogo final de Terminator 2, as longas horas ao volante em The Grapes Of Wrath, etc. Com tantos significados em tantos contextos diferentes, já fazia falta a devida homenagem ao asfalto. Aqui está um Top5 de filmes com essa palavra no nome.

05. O Beijo No Asfalto (Bruno Barreto, 1981)
Longe de ser o melhor do realizador brasileiro, mais conhecido por Dona Flor E Seus Dois Maridos ou Gabriela, Cravo E Canela, é curioso como se tornou algo obsoleto, por já não haver a mesma legislação nem preconceito relativamente à homossexualidade, em apenas trinta e poucos anos. As interpretações são apressadas e o filme não consegue deixar as amarras do teatro, donde tem origem. Fica na cabeça que o povo é, sempre foi e sempre será fácil de manipular, controlando-se os canais de informação.

04. Asphalt (Harald Röbbeling, 1951)
Constituído por vários episódios sem relação e intercalados por discursos pedagógicos exacerbados, este Asphalt tem, inevitavelmente, picos de interesse. O meu preferido é o da rapariga de classe média que engravida numas férias na neve. Grande trabalho de iluminação em cenários muito díspares.

03. Asphalt (Joe May, 1929)
Proto-noir sobre um polícia-sinaleiro que se encarrega de resolver um roubo numa joelharia nas imediações do cruzamento onde trabalha, levando uma ladra à esquadra. Fazendo uso do seu charme feminino, ela consegue ludibriar o jovem agente a segui-la a casa antes, para apanhar os seus documentos, procedendo assim a seduzi-lo com sucesso. A linha entre bom e mau, os meandros da justiça, são tornados cinzentos com estas pequenas reviravoltas. Alguns planos memoráveis, como imagens de Berlim do ar e grandes travellings nas ruas nocturnas da capital.

02. Wet Asphalt (Frank Wisbar, 1958)
Outro filme sobre jornalismo manipulador. Horst Buchhholz e Martin Held têm uma classe aparte e o argumento explora com eloquência e paciência a falta de escrúpulos de um repórter famoso que conta uma mentira e faz chantagem emocional sobre o seu aprendiz mais novo para se proteger. Uma espécie de Sweet Smell Of Success numa Berlim em reconstrução.

01. The Asphalt Jungle (John Huston, 1950)
O que é o film-noir? Não é preciso ir mais longe do que os primeiros filmes de John Huston, especialmente The Maltese Falcon e The Asphalt Jungle. Está aqui tudo: a noite traiçoeira, os covis decadentes de criminosos, ricalhaços sem morais, femme fatales (Marilyn Monroe radiante), enfim, o cinema preto-e-branco foi inventado para isto.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

TOP5: Jimmy Stewart

Uma das caras mais reconhecíveis da história do cinema, Jimmy Stewart ganhou popularidade a interpretar repetidamente filhos e chefes de família da classe média. O seu timing cómico e voz gaguejante encontraram em You Can't Take It With You, The Philadelphia Story e The Shop Around The Corner o território perfeito para serem mais que tiques e se tornarem carismáticos. Depois de um longo período de interregno, no qual serviu o exército americano durante a Segunda Guerra Mundial, reatou a sua colaboração com Frank Capra, no clássico natalício It's A Wonderful Life. Mais tarde viriam Rear Window e Vertigo com Alfred Hitchcock, Winchester '73 e The Naked Spur com Anthony Mann, entre outros. A sua versatilidade ficava, então, provada e documentada. Quando em 1985 ganhou um Óscar honorário, a justificação foi "por 50 anos de interpretações memoráveis, pelos seus ideais elevados, no ecrã e fora dele, com o respeito e amizade dos seus colegas." Eis os meus cinco filmes preferidos (sem repetir realizadores):

05. The Philadelphia Story (George Cukor, 1940)

04. Winchester '73 (Anthony Mann, 1950)

03. Harvey (Henry Koster, 1950)

02. Anatomy Of A Murder (Otto Preminger, 1959)

01. Vertigo (Alfred Hitchcock, 1958)

sábado, 9 de novembro de 2013

TOP5: Neorealismo Italiano

A trilogia de Rossellini, composta por Rome, Open City (1946), Paisan (1946) e Germany, Year Zero (1948) abriu os olhos do mundo para o neorealismo italiano; contudo, é Ossessione (1942), a obra de estreia de Visconti, que vulgarmente é aceite como a génese deste género voltado para a vida do povo e que recusava a artificialidade dos estúdios, consequência de uma maior consciência social e histórica imputada pela destrutiva Segunda Guerra Mundial. De seguida, destaque para cinco obras de realizadores diferentes.

05. Without Pity (Alberto Lattuada, 1948)
Longe de ser dos mais famosos, Without Pity é a história emotiva de uma italiana e um soldado americano negro apaixonados. Dificilmente outro filme mostra com a mesma vividez as indefinições do pós-guerra imediato.

04. The Earth Trembles (Luchino Visconti, 1948)
Apesar de Ossessione granjear mais fama, prefiro The Earth Trembles. Com menos enredo, permite-se a momentos de pura contemplação das rotinas numa aldeia piscatória, um pouco como se pode ver em Stromboli, de Rossellini.

03. The Tree Of Wooden Clogs (Ermanno Olmi, 1978)
Este é de longe o mais recente da lista, mas justifica-se. O estilo de Olmi encaixa na definição do género, até ao pormenor do uso exclusivo de não-actores, e é incrível como um filme de três horas sobre várias famílias que trabalham na mesma quinta no início do século XX se torna tão absorvente pela simples reconstituição de tarefas rurais.

02. Paisan (Roberto Rossellini, 1946)
Paisan é algo atípico - constituído por seis episódios, sem relação entre eles, mas de alguma forma relacionados com a entrada dos Aliados no cenário europeu, é abrangente em temas, períodos, situações e locais. Apesar da estrutura fragmentada, não há qualquer perda a nível de consistência estética, sempre prevalente a vontade de mostrar a condição humana nas situações mais adversas.

01. Bicycle Thieves (Vittorio De Sica, 1948)
Porque é que Bicycle Thieves é tão frequentemente referido como o melhor do neorealismo italiano? Porque a história é intemporal e apresenta dilemas morais imediatamente reconhecíveis e que suscitam respostas ambivalentes. Um homem pobre consegue um emprego, para o qual é essencial a sua bicicleta. Quando esta é roubada em plena luz do dia, o seu desespero e da família, incluindo do filho Bruno, ataca com força o coração. Até onde consegue um homem honesto aguentar quando o mundo parece conspirar contra si? Vittorio De Sica e Cesare Zavattini dão assim origem a um clássico de uma simplicidade desarmante.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

TOP5: Terrorismo

05. The Hamburg Cell (Antonia Bird, 2004)
Desde Setembro de 2001 que o terrorismo passou a ser uma realidade mais palpável e assustadora para quem vive em países ocidentais. Ainda que a influência de alguns grupos pareça, ao fim de mais de 10 anos, ser hoje mais residual, a ameaça ainda está bem presente. Este filme em particular foca-se na preparação de alguns dos sequestradores do United 93, mostrando-os como pessoas com rotinas e empregos normais (ainda que com convicções destrutivas) e não apenas como monstros ininteligíveis sem história, retrato que causou bastante polémica. Uma grande interpretação de Karim Saleh.

04. Path To Paradise (Leslie Libman, Larry Williams, 1997)
Em 1993 ocorreu o prelúdio do 11 de Setembro: uma carrinha armadilhada explodiu na cave do WTC, matando 6 pessoas, acontecimento patrocinado pela Al-Qaeda. Ver este filme depois de 2001 é enervante por ser tão óbvio o aviso que ficou dado, com a incompetência das autoridades competentes a ganhar protagonismo, sem que nada tenha sido realmente feito.

03. United 93 (Paul Greengrass, 2006)
O voo que se despenhou na Pennsylvania é uma história dramática de coragem face à morte certa. No seu estilo documental típico, Greengrass filma aqui um dos filmes mais intensos que já vi.

02. Zero Dark Thirty (Kathryn Bigelow, 2012)
Mais cedo ou mais tarde, a procura e morte de Bin Laden daria um filme. Zero Dark Thirty é um triunfo a nível técnico, que cobre toda a investigação com grande realismo e gravidade, permitindo a Jessica Chastain, pelo caminho, uma enorme interpretação.

01. Munich (Steven Spielberg, 2005)
Haverá algum filme a explorar com tanta profundidade e intensidade a espiral de violência gerada pelo terrorismo e a vingança, que por sua vez gera mais terrorismo e vingança? Neste filme não há inocentes, não há compromissos, é o filme mais maduro e mais complexo de Spielberg.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

TOP5: Palma de Ouro

05. La Dolce Vita (Federico Fellini, 1960)
Marcelo! Marcelo! Impossível esquecer a cena da Fontana di Trevi em que a curvilínea Anita Ekberg decide banhar-se. O filme é propositadamente episódico e introduz o novo tipo de narrativa cinemática que se tornaria a marca de Fellini a partir de então, rejeitando os diálogos explicativos, dando pouco valor à linearidade e tornando difusa a linha que separa o realismo da pura fantasia.

04. Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979)
Talvez o filme mais desmedido de sempre, o impacto de Apocalypse Now atravessa gerações e não esvanece, tal como tudo o que Coppola fez nessa década (será esse o melhor período de criatividade e produtividade de qualquer realizador na história?). As histórias da complicadíssima produção são quase tão lendárias como algumas falas e sequências da mesma. Pessoalmente, recomendo a versão Redux, pois considero ser daqueles filmes que podiam durar 20 horas que não perdiam o interesse.

03. The Best Intentions (Bille August, 1992)
Bergman escolheu não realizar o seu argumento sobre o namoro, casamento e divórcio dos pais - seja porque razão for, a verdade é que Bille August dá conta do recado. Isto é um grande eufemismo para um dos meus filmes preferidos. The Best Intentions é simplesmente magistral na gestão de uma história de amor muito pessoal e cheia de revezes, pontuada por aquela simplicidade e frieza nórdicas, que tornam um simples diálogo mais tenso que mil thrillers.

02. Elephant (Gus Van Sant, 2003)
Tal como o anterior e o próximo, este filme compete para o meu top5 de todos os tempos. Gus Van Sant consegue em Elephant um pequeno milagre com uma ideia deprimente, inspirada no triste caso do tiroteio de Columbine. Muito mais do que uma sucessão de planos-sequência, nenhum filme consegue transmitir uma atmosfera de distância, alienação e melancolia juvenil como este e daí surgem muitas perguntas sobre a relação com a violência e a adequação do sistema educacional.

01. Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976)
Scorsese, De Niro e Schrader transformam Nova Iorque num inferno para desenvolverem um estudo de personagem ímpar. Travis Bickle, veterano da guerra do Vietname, arranja trabalho como taxista e, no seu isolamento e delírio, desenvolve as suas próprias teorias sobre o mundo que o rodeia e os sentimentos que o assolam. Passar daí às acções demora o seu tempo e esse compasso de espera torna o filme imprevisível.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

TOP5: NBA

05. Thunderstruck (John Whitesell, 2012)
Kevin Durant é uma das mais recentes vedetas da liga americana de basquetebol. O jogador dos Oklahoma City Thunder tem um talento especial para a finalização... e devia-se ficar por aí, porque como actor tem um alcance tão elevado quanto a bola de volley de Cast Away.  Para além do mais, Thunderstruck rouba a ideia do filme que vem a seguir, mas numa história muito menos criativa. Tem graça, naquele jeito de Domingo à tarde.

04. Space Jam (Joe Pytka, 1996)
Bugs Bunny e companhia voltam a aparecer numa fusão de live action com animação, depois de Who Framed Roger Rabbit (1988), agora acompanhados do melhor jogador de sempre: Michael Jordan. O segundo-base estava, na altura, de regresso aos Chicago Bulls, depois de ano e meio retirado, no seguimento do assassinato do seu pai, e é com esse período que o filme joga. Os Looney Tunes têm o futuro ameaçado por aliens e precisam da ajuda de Jordan para ganharem uma aposta. Divertimento garantido e banda sonora memorável (I believe I can fly!). Larry Bird, Charles Barkley, Patrick Ewing, entre outros, têm aparições.

03. He Got Game (Spike Lee, 1998)
Um dos melhores filmes que o Spike Lee alguma vez fez é sobre talvez a sua paixão mais pública depois do cinema: o basquetebol. He Got Game é um drama urbano sobre as tentações que rodeiam uma estrela de secundário requisitada pelos programas desportivos de várias universidades, que não hesitam em recorrer a oferecer ilegalmente prendas para atrair as maiores promessas. Ray Allen, actor principal, viria a tornar-se o recordista de triplos da NBA em 2011; mostra aqui um raro alcance como actor.

02. Airplane! (Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker, 1988)
Uma das mais hilariantes e reconhecidas comédias de sempre conta com Leslie Nielsen, sim, mas também Kareem Abdul-Jabbar como um co-piloto vítima de intoxicação alimentar. Numa cena mítica e que manda pela escotilha muitas convenções da escrita de um argumento, o melhor marcador de sempre da liga americana (há 30 anos no topo da lista) é reconhecido por uma criança a bordo e a personagem é quebrada.

01. Blue Chips (William Friedkin, 1994)
Num estilo ainda mais intenso e frenético que em He Got Game, Friedkin filma Nolte como um treinador de basquetebol numa universidade com historial mas que, actualmente, anda pelas ruas da amargura, e que, por isso, cede à pressão e recorre a esquemas ilegais para atrair jogadores promissores para a sua equipa. É um conto moralista com um final justo, que explora muito bem a componente de treino e o ambiente do mundo universitário, com jogadores como Shaquille O'Neal ou Penny Hardaway a darem uma óptima contribuição. Larry Bird tem um cameo.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

TOP5: Natal

05. The Nightmare Before Christmas (Henry Selick, 1993)
O primeiro grande filme de animação stop-motion já tem quase 20 anos, mas continua a reter um charme e uma originalidade contagiantes. Henry Selick conhecera Tim Burton anos antes, quando ambos trabalhavam na Disney, e com o seu apoio deu vida a este pequeno delírio musical sobre um bizarro esqueleto, habitante em Halloweentown, que tenta perceber o conceito do Natal.

04. A Christmas Carol (Robert Zemeckis, 2009)
O livro de Charles Dickens é um clássico que sintetizava, na altura, novas e antigas tradições desta época festiva num conto de redenção em que um avarento idoso, Ebenezer Scrooge, é visitado por 3 fantasmas na véspera de Natal, que lhe mostram o seu passado, presente e futuro. Há muitas versões, mas escolhi este por a animação 3D em motion-capture ser particularmente bem conseguida e por adorar os planos contínuos logo no início.

03. It's A Wonderful Life (Frank Capra, 1946)
Os filmes de Capra parecem sempre muito doces e optimistas, mas creio que isso acontece apenas porque essa é a atitude que as personagens tentam ter em relação à vida, mesmo quando são confrontadas com grandes dificuldades, como a personagem principal deste filme. A presença de Jimmy Stewart, um dos melhores actores de sempre, e de Donna Reed, uma das mais bonitas actrizes de sempre, também ajuda.

02. Christmas Vacation (Jeremiah S. Chechik, 1989)
Muito me ria com esta comédia quando era mais novo e nunca percebi a insistência das televisões com o Home Alone quando podiam passar um filme muito melhor. Chevy Chase tem aquele ar de chefe de família pateta a quem todos conseguem dar a volta, mas no fundo é um bom homem e no fim coisas boas (ou menos más) acontecem e tudo fica bem. Como esquecer um Natal que acaba com a SWAT a arrombar a porta da frente?

01. Miracle On 34th Street (George Seaton, 1947)
Neste filme, um homem é hospitalizado por afirmar ser o verdadeiro Pai Natal. Claro que é o número um!

sábado, 10 de novembro de 2012

TOP5: Curtas Documentais

05. À Propos De Nice (Jean Vigo, 1930)
Nem todos os documentários precisam de ter uma história para contar ou uma mensagem a passar: À Propos De Nice é uma elegia cinemática à cidade do Sul de França, que o malogrado realizador Jean Vigo via como encantadora mas talvez a sofrer com o turismo excessivo. Numa mistura de humor e surrealismo, vemos as praias e as avenidas, mas também fábricas e operários por vezes esquecidos num cenário tão veranil.

04. Douro, Faina Fluvial (Manoel de Oliveira, 1931)
81 anos depois, ainda é possível discutir esta curta com o seu realizador. A longevidade de Manoel de Oliveira é deveras impressionante, mas mais surpreendente será o ritmo fervilhante com que há tantas décadas atrás filmou a cidade do seu coração. Douro, Faina Fluvial é actividade e movimento, do rio sob a ponte D. Luís I, dos barcos rabelos na água e da câmara (não será esta uma das primeiras instâncias do uso de câmara tremelicosa?), o que não deixa de ser irónico, considerando a indolência dos últimos filmes do português.

03. The House Is Black (Forugh Farrokhzad, 1963)
O dia-a-dia numa colónia de leprosos é filmado por Farrokhzad com profunda compaixão, mas também alguma curiosidade. A narração insinua que os habitantes encontram conforto na religião e agradecem a Deus por estarem vivos. Não são tristes aquelas pessoas que às vezes ficam tão imersas nas suas vidas que egoisticamente se esquecem do quão privilegiadas são realmente?

02. Chernobyl Heart (Maryann DeLeo, 2003)
Esta curta vencedora de um Óscar causa arrepios, é de uma frieza inaudita, mas adequada ao material. Afinal, lida com as consequências na população bielorrussa do maior desastre nuclear da História. Logo a abrir, uma viagem pela zona de exclusão, onde vemos a central ao longe e medições de radiação (uns milhares de vezes superior ao aceitável). É uma introdução imponente, a que se seguem imagens deprimentes dos hospitais, orfanatos, escolas e asilos que albergam bebés, crianças e adolescentes ainda hoje física ou mentalmente afectados pelo acidente. A electricidade foi uma descoberta fenomenal, mas, considerando os riscos, o uso da energia nuclear como fonte continua a ser controverso.

01. Night And Fog (Alain Resnais, 1955)
O horror do Holocausto nos 32 minutos mais arrepiantes que é possível imaginar. Resnais contrapõe imagens e vídeos de arquivo com imagens e vídeos filmados por si apenas 10 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, perpetuando a memória do que aconteceu. François Truffaut chamou-lhe "o melhor filme de sempre".

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

TOP5: Westerns Revisionistas

05. The Proposition (John Hillcoat, 2005)
Apesar da definição de western revisionista ser um pouco vaga, o género tem sido muito revisitado nos últimos anos e em molde diferentes dos habituais na altura de maior popularidade, nos anos 40, 50 e 60. The Proposition é um filme que, pelo seu negrume e visceralidade, dificilmente seria possível há umas décadas. 

04. The Three Burials Of Melquiades Estrada (Tommy Lee Jones, 2005)
Ambientado em tempos mais modernos, este filme apresenta uma desconstrução invulgar da mitologia do género, em que a personagem principal nem sempre toma atitudes moralmente correctas e a história avança de forma não cronológica. Uma interpretação de grande contenção de Tommy Lee Jones e um argumento de qualidade de Guillermo Arriaga (Amores Perros, Babel).

03. No Country For Old Men (Ethan Coen, Joel Coen, 2007)
Um jogo de gato e rato anti-climático, sardónico e rigoroso como só os irmãos Coen conseguem fazer. O vilão protagonizado por Javier Bardem é inesquecível, pela sua silenciosa intensidade, pela sua arma original, pelo seu corte de cabelo.

02. The Assassination Of Jesse James By The Coward Robert Ford (Andrew Dominik, 2007)
A análise melancólica de uma personagem cuja fama atravessa gerações e de um faroeste em decaimento. Em termos de fotografia, um dos melhores trabalhos dos últimos anos.

01. There Will Be Blood (Paul Thomas Anderson, 2007)
Uma meditação sobre violência, ganância e vingança, There Will Be Blood é denso e atípico, os diálogos e os olhares são mais perigosos que balas e tanto a religião como o petróleo escurecem a paisagem. Por muitas razões, o western que Kubrick nunca realizou - acho que esta impressão fica vincada com os 20 minutos finais.

sábado, 28 de julho de 2012

TOP5: Jogos Olímpicos

05. Miracle (Gavin O'Connor, 2004)
Milagre no Gelo foi o nome dado a uma final de hockey entre União Soviética  e Estados Unidos nos Jogos de Inverno de 1980. Os primeiros eram considerados favoritos, mas a visão de equipa de um treinador com azar mas com o espírito certo levaria a um grande pontapé nos tomates dos russos, numa altura em que a Guerra Fria ainda fazia mossa.

04. Astérix Aux Jeux Olympiques (Frédéric Forestier, Thomas Langmann, 2008)
Não é que os filmes do Astérix sejam um prodígio de absolutamente nada, nem sequer do humor que tanto se esforçam por fazer resultar, mas este é um olhar raro (ficcional, mas legítimo) aos Jogos de antigamente... e não deixa de ser obrigatório para os fãs dos irredutíveis gauleses, se não for pela qualidade, só pelo facto de existir.

03. Prefontaine (Steve James, 1997)
Um dos primeiros filmes de Jared Leto como protagonista, mostra a luta e o esforço de um jovem determinado, que, infelizmente, morreu cedo demais e nunca chegou a ser campeão olímpico. Do mesmo realizador de um dos melhores documentários de sempre, Hoop Dreams (1994), também ele sobre desporto.

02. Chariots Of Fire (Hugh Hudson, 1981)
Bem, se estes top5 fossem única e exclusivamente regidos pelo apego de um filme ao tema escolhido, certamente que neste caso Chariots Of Fire viria em primeiro. Não há filme que mostre melhor a vontade de vencer e a preparação de atletas que este, já para não falar da mítica banda-sonora de Vangelis, que hoje é basicamente tão ou mais reconhecida que o próprio filme. Típica qualidade britânica.

01. Munich (Steven Spielberg, 2005)
A verdade é que, apesar de não ser sobre desporto e, muito menos, sobre o espírito olímpico, Munich é um filme monumental sobre assuntos muito mais preocupantes, que usa os Jogos como ponto de partida. A captura e posterior assassinato de atletas israelitas por terroristas palestinianos em 1972 e as consequências sociais e políticas do acontecimento são exploradas com detalhe, à medida que Spielberg segue uma célula de espiões judeus reunidos para uma grande missão secreta de vingança. É talvez o filme mais maduro e claustrofóbico do realizador, onde a violência é crua e chocante, onde as perguntas e respostas são ambíguas e inúmeras, onde o medo do terrorismo parece tão real quanto nos dias de hoje. Uma obra-prima.