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domingo, 12 de outubro de 2014

CURTAS: WTC Haikus (Jonas Mekas, 2010)


Constantemente referido como o padrinho do cinema avantgarde americano, Jonas Mekas tem uma história de vida preenchida. Nascido na Lituânia, esteve preso num campo de trabalho nazi, estudou filosofia depois da guerra e, já emigrante no outro lado do oceano Atlântico, começou a gravar o seu dia-a-dia com câmaras rudimentares, a descobrir o cinema experimental e a escrever sobre este. Amigo de Andy Warhol, Lou Reed, entre outros, e inserido num mundo de intelectuais pop em expansão, começa a produzir as suas curtas e a abrir caminho para uma nova geração de realizadores underground que desafiariam os limites da forma e do conteúdo dos filmes na altura. Hoje, a maioria dos seus trabalhos parecem revelar alguma nostalgia por esses tempos idos e são, com frequência, compostos por fragmentos de gravações antigas, dos quais WTC Haikus é, para mim, um dos mais interessantes. Residente nova-iorquino de longa data, a evocação de um grande símbolo da cidade, desaparecido de forma trágica nos ataques terroristas de 9/11, como o World Trade Center, por esta via, acompanhada apenas por um trecho de piano simples, é muito emotiva. Hoje com 91 anos, Mekas continua no activo.

sábado, 30 de agosto de 2014

CURTAS: The Life And Death Of 9413, A Hollywood Extra (Robert Florey, Slavko Vorkapich, 1928)


Hollywood já é uma senhora velha, com velhos hábitos. A prova é esta curta avantgarde sobre um homem que chega ao burgo cheio de esperanças e ilusões e acaba como um extra de segunda categoria. O filme realça a superficialidade do cinema massificado com enorme criatividade.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

CURTAS: Aschenputtel (Lotte Reiniger, 1922)

Verdadeira inovadora na arte da animação, Lotte Reiniger criou um estilo único, extraindo inspiração dos retratos de silhuetas que fazia quando era mais nova. Admitida no Instituto de Pesquisa Cultural, um estúdio de cinema experimental, foi desenvolvendo o seu trabalho expressionista, frequentemente com histórias infantis como base, algumas das quais também abordadas por Disney nos EUA, como é o caso da Cinderella, que é a curta que partilho neste post. A sua influência estende-se aos dias de hoje, ao ponto de a animação no final de um blockbuster da dimensão de Harry Potter And The Deathly Hallows - Part I emular estas características.

terça-feira, 11 de março de 2014

CURTAS: Arena (João Salaviza, 2009)

A melhor forma de um português dar nas vistas: alguém no estrangeiro reconhecer o seu trabalho. Foi o que aconteceu com João Salaviza, que teve a sorte (e o mérito, obviamente) de ganhar uma Palma de Ouro em 2009, caso contrário seria ainda mais um sem-nome no circuito underground das curtas. Arena é um movimento de dentro para fora, que culmina com confronto físico, onde o realizador revela ter bom olho para ambientes urbanos. Mauro (Carloto Cotta) é um tatuador em prisão domiciliária que se vê forçado a tomar uma atitude perante a insatisfação nada pacífica de um cliente com o seu trabalho.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

CURTAS: The Music Box (James Parrott, 1932)

Los Angeles é uma cidade que se vai tornando cada vez mais alcantilada à medida que nos afastamos do mar. Como tal, proliferam as escadas pelas suas famosas encostas, tantas que há mesmo sites e guias só sobre esta particularidade! Oliver Hardy e Stan Laurel, mais conhecidos na gíria por Bucha e Estica, desenvolvem nesta curta as mais hilariantes peripécias possíveis de ocorrer quando alguém tenta carregar algo pesado escadas acima. É um dos mais reconhecíveis momentos do cinema americano.

domingo, 26 de janeiro de 2014

CURTAS: The Tale Of The Three Brothers (Ben Hibon, 2010)

Se houve fenómeno que segui e me seguiu durante a adolescência, foi Harry Potter. Desde que me foi oferecida uma cópia da primeira edição do primeiro livro que passei a viver intensamente a história do órfão com uma cicatriz em forma de relâmpago que descobre que é um feiticeiro; afinal, quantas vezes, quando se é mais novo, não nos sentimos deslocados, não queremos fugir do que nos rodeia ou não desejamos ter super-poderes? E quando se é adulto também, já agora! De todos os frames que as adaptações ao cinema geraram, estes são dos meus preferidos: na primeira parte de Harry Potter And The Deathly Hallows uma animação interrompe a acção para contar a história, um pouco ao estilo Kill Bill, da origem de alguns objectos preponderantes. As silhuetas das personagens contrastam com o fundo dourado e há uma aura de antiguidade e fantasia em tudo emulada de Lotte Reiniger. A narração perfeita de Emma Watson também ajuda.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

CURTAS: Selbstschüsse (Lutz Mommartz, 1967)

Este foi o primeiro filme que vi em 2014... e ainda bem! Mommartz divaga sobre o prazer de ver cinema e as suas possibilidades infinitas com uma energia contagiante. O realizador experimental alemão corre com a sua câmara de 16mm, atira-a ao ar, filma-se a rir, a sério, que mais incentivo é preciso para se ter um ano cinematográfico preenchido?

sábado, 14 de dezembro de 2013

CURTAS: Castello Cavalcanti (Wes Anderson, 2013)

Wes Anderson volta a intercalar uma curta entre duas longas-metragens, desta vez emprestando o seu estilo à Prada, outra marca com valores estéticos reconhecidos. O tom cómico sem expressão e os cenários originais estão sempre em destaque, os movimentos de câmara precisos e contínuos também. Uma pequena maravilha.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

CURTAS: Schwechater (Peter Kubelka, 1958)

O título desta curta advém do nome da cerveja para a qual o austríaco Kubelka devia realizar um anúncio. A demora em entregar um produto final fazia antever algo caro ou grandioso, mas afinal o resultado foi... este! Usando uma câmara sem lente, filmou uma pessoa a beber, montou os frames de formas estrambólicas e reproduziu-os rapidamente e repetidamente, para obter 90 segundos de puro mindfuck.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

CURTAS: Flying Padre (Stanley Kubrick, 1951)

Uma das três curtas documentais conhecidas de Stanley Kubrick é Flying Padre, que conta a história de um padre que se desloca de avião pelas diversas paróquias do estado do Novo México pelas quais é responsável, muito distantes umas das outras. Nesta altura, o realizador já havia saído da revista Look, onde foi fotógrafo, e dava os primeiros passos no mundo do filme. Esta curta destaca-se pelo tom ligeiro de uma história curiosa.

sábado, 31 de agosto de 2013

CURTAS: Doodlebug (Christopher Nolan, 1997)

Ver esta curta de Christopher Nolan, o seu primeiro trabalho, feito quando ainda estudava Literatura Inglesa na University College London, é como ver o prenúncio do autor popular que hoje é. Tirando o tom kafkaniano que perdeu rapidamente, é incontornável a semelhança de Doodlebug com a lógica circular de Inception e a fotografia a preto e branco lembra também algumas cenas de Memento. Criatividade não falta.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

CURTAS: Newman Laugh-O-Grams (Walt Disney, 1921)

A trabalhar numa companhia de anúncios em Kansa City, Walt Disney desenvolve um interesse por animação, mais especificamente da técnica de desenho directamente em celulóide (cel animation), por oposição aos recortes e colagens que era obrigado a fazer (cutout animation). Com uma câmara emprestada e a promessa do proprietário de um cinema local de passar os seus trabalhos, Disney  conseguiu criar a sua primeira curta conhecida, Newman Laugh-O-Grams. Rapidamente criou o seu próprio estúdio e a sua popularidade crescia tão rápido quanto as dívidas que amealhava. Quando o dinheiro se esgotou de vez, decidiu mudar-se para a Califórnia, com a ideia de começar uma série de cartoons sobre a Alice no País das Maravilhas, fundando para o efeito o Disney Brothers Cartoon Studio no centro de Los Angeles em 1923. O resto é história.

terça-feira, 14 de maio de 2013

CURTAS: A Boy And His Atom (Nico Casavecchia, 2013)

O mais pequeno filme de stop motion de sempre (certificado pelo Guiness) foi feito este ano pela IBM e envolve... átomos! Filmado à escala nano, pode ser visto no Youtube aumentado uns milhões de vezes.

domingo, 14 de abril de 2013

CURTAS: Suspense (Lois Weber, 1913)

Esta pequena pérola do cinema mudo foi apenas uma das dezenas de curtas realizadas por Lois Weber, a primeira mulher americana a ocupar o lugar principal por detrás das câmaras. No entanto, o interesse de Suspense vai além desse pequeno facto e estende-se à técnica, sendo-me obrigatório realçar o uso do split screen, que chega a ser triplo, algo muito raro nesta época, e a montagem, que nos transporta freneticamente da casa, na qual uma mulher tenta proteger-se a si e ao seu bebé de um assaltante destemido, para a corrida do marido, que é alertado por telefone pela esposa e espera salvar a família. Um pormenor: a certa altura o criminoso abre um buraco numa porta ao murro enquanto a mulher berra de terror e vem à cabeça a famosa cena do Shining. Coincidência?

quinta-feira, 21 de março de 2013

CURTAS: Wavelength (Michael Snow, 1967)

Inequivocamente, Michael Snow não é para todos. O canadiano especializou-se a fazer os filmes experimentais mais estáticos de sempre, espicaçando o espectador para transformar ele mesmo a realidade à medida que o tempo passa (e algumas demoradas variações vão conduzindo a nossa percepção para novos padrões). Eis pois Wavelength, um desafio de 40 minutos à vossa paciência.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

CURTAS: Fresh Guacamole (PES, 2012)

O filme mais curto de sempre nomeado para um Óscar é uma animação extremamente criativa que propõe novos ingredientes para uma taça de guacamole, à base de plasticina recolhida do interior de granadas. Parece que tudo é comestível para o realizador, que opta por usar o nome de um simulador de futebol como pseudónimo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

domingo, 18 de novembro de 2012

CURTAS: La Première Nuit (Georges Franju, 1958)

Georges Franju tinha um talento especial para encontrar o lado surrealista na mais brutal das imagens; seja no contexto da ficção ou do documentário, os seus filmes estão impregnados com um desejo de expressionismo inédito no cinema francês, tipicamente mais poético e romântico, do qual Franju também não se distancia completamente. Esta fórmula validou-lhe um estilo único e creio que esta curta, lúgrube e melancólica, basicamente muda, sobre um menino que deambula pelo metro de Paris enquanto procura o seu interesse amoroso, é dos trabalhos mais relaxados e acessíveis do realizador.

sábado, 20 de outubro de 2012

CURTAS: Viola: The Traveling Rooms of a Little Giant (Shih-Ting Hung, 2008)

Curta com contornos surrealistas sobre uma "stairway to heaven". A imagética original e tranquila valeu-lhe o Student Academy Award de animação, provavelmente o prémio mais desejado por jovens estudantes de realização, dado o seu patrocínio pela AMPAS.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

CURTAS: North Atlantic (Bernardo Nascimento, 2010)

Esta curta portuguesa concorreu ao Your Film Festival, promovido pelo site Youtube e com o patrocínio de Ridley Scott. Não ganhou, mas é, inegavelmente, um grande trabalho. Vejam!